Navio cargueiro é desencalhado no Canal de Suez e tráfego é liberado após 6 dias

Redação Notícias
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No início da madrugada desta segunda-feira (29), o Ever Given começou a se movimentar à medida que a maré subia
No início da madrugada desta segunda-feira (29), o Ever Given começou a se movimentar à medida que a maré subia. (Foto: Mahmoud Khaled/Getty Images)
  • Após 6 dias, cargueiro Ever Given foi desencalhado do Canal de Suez

  • Operação durou 5 dias e mobilizou retroescavadeiras e equipamentos de dragagem

  • Bloqueio reteve cerca de R$ 55 bilhões em mercadorias a cada dia do canal paralisado

O navio cargueiro Ever Given foi desencalhado do Canal de Suez e o tráfego, liberado, afirmou a Autoridade do Canal nesta segunda-feira (29). 

O navio de 400 metros de comprimento —quase a altura do prédio Empire State, em Nova York (EUA)— ficou preso na diagonal na última terça (23), bloqueando a rota mais rápida entre a Europa e a Ásia. "Ela está livre", disse um oficial envolvido na operação. 

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Empregados de resgate da Autoridade do Canal de Suez e um time da firma holandesa Smit Salvage trabalharam no desencalhe do navio durante o fim de semana e foram parcialmente bem sucedidos em fazer o navio voltar a flutuar na manhã desta segunda. 

No início da madrugada desta segunda-feira (29), o Ever Given começou a se movimentar à medida que a maré subia.

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Um enorme navio porta-contêineres que bloqueava o Canal de Suez há quase uma semana foi totalmente desencalhado nesta segunda-feira, e o tráfego na via marítima poderá ser retomado, disse a autoridade responsável pelo canal em comunicado.

Uma testemunha da Reuters viu o navio se movendo, enquanto uma agência de monitoramento de embarcações e uma televisão egípcia o mostraram o navio posicionado no centro do canal.

O desencalhe do navio foi comemorado com buzinaços dos barcos ao redor, enquanto o navio começava a subir lentamente na direção norte do canal, constataram os jornalistas da AFP.

OPERAÇÃO DA LIBERAÇÃO DO CANAL DE SUEZ

A operação para liberar a embarcação durou 5 dias, e mobiliza retroescavadeiras e equipamentos de dragagem, um grupo de rebocadores e a retirada parcial do peso da embarcação para tentar facilitar o delicado trabalho de engenharia.

Havia risco de o navio desequilibrar ou se partir, por exemplo. Mergulhadores não detectaram abalos no casco. 

O Ever Given encalhou na manhã de terça-feira (23) em meio a ventos fortes e uma tempestade de areia que afetou sua visibilidade. Ele bloqueava uma das rotas comerciais mais movimentadas do mundo, forçando empresas a redirecionarem navios, o que causa longos congestionamentos.

Relatos de que o navio havia sido desencalhado aumentaram a esperança de que o tráfego ao longo do canal pudesse ser retomado em algumas horas, abrindo caminho para cerca de US$ 9,6 bilhões (quase R$ 55 bilhões) em mercadorias que estão sendo retidas a cada dia.

Empresas especializadas em comércio marítimo estimam que, no total, as perdas econômicas direta ou indiretamente ligadas ao encalhe passem de R$ 300 bilhões. Há quase 370 embarcações na fila à espera da liberação do canal.

Cerca de 12% do comércio global passa pelo Canal de Suez de 193 km (120 milhas), que conecta o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho, criando um caminho mais curto entre a Ásia e a Europa.

Uma rota alternativa, ao redor do Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, poderia custar duas semanas e centenas de milhares de reais a mais em combustível extra.

ATINGIDO POR GUERRA, CANAL FICOU FECHADO POR 8 ANOS

Apesar do duro impacto econômico que o incidente está causando, este não é o pior obstáculo a interromper o comércio pelo canal, que liga o Mar Vermelho ao Mediterrâneo.

Em junho de 1967, 15 navios que passavam pelo canal foram pegos no fogo cruzado da Guerra dos Seis Dias, entre Israel e o bloco formado por Egito, Síria e Jordânia.

"Eles não queriam ser alvos, então ficaram lá", diz Sal Mercogliano, especialista em história marítima da Universidade de Campbell, nos Estados Unidos, à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC).

No segundo dia do conflito, o Egito afundou navios nas extremidades do canal e plantou explosivos para bloquear a rota e impedir que Israel a cruzasse.

A guerra terminou em questão de dias, mas o canal ficou fechado por anos — um dos navios afundou e os outros 14 encalharam. Eles só foram retirados 8 anos depois.

Apenas dois dos 14 barcos que tinham ficado presos conseguiram sair por conta própria, o Münsterland e o Nordwind, da Alemanha. O resto teve de ser rebocado ou desmontado no local.

NAVIO GEROU 'ENGARRAFAMENTO' NO CANAL DE SUEZ

Até esta sexta-feira (26), havia 369 embarcações paralisadas nas proximidades do canal no Egito, segundo dados coletados pela agência de notícias EFE junto à Leth Agencies, que oferece serviços de logística em diversos canais e estreitos do mundo.

O bloqueio interrompeu a passagem entre a Ásia e a Europa de mercadorias avaliadas em US$ 9,6 bilhões por dia, segundo a consultoria Lloyd's List Intelligence.

Mais de 12% do comércio mundial se move ao longo da rota, de acordo com dados da Autoridade do Canal de Suez.

Alguns navios já cogitavam contornar o sul da África, como o Ever Greet, também da Evergreen, segundo a Lloyd's List, embora a travessia leve quase 12 dias a mais.

PRESIDENTE EGÍPCIO PARABENIZOU OPERAÇÃO

O presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sissi, não esperou pelo fim do resgate para se parabenizar no início do dia por uma operação "bem-sucedida", sendo o famoso canal uma importante fonte de renda para o país.

De acordo com a revista especializada britânica Lloyd's List, o bloqueio criou um engarrafamento de 425 navios, que aguardavam nesta segunda-feira para poderem atravessar esta rota essencial para o comércio marítimo que liga o Mar Vermelho ao Mediterrâneo.

Levará "cerca de três dias e meio" para resolver tudo, advertiu Ossama Rabie, presidente da Autoridade do Canal, no canal local Sadaa al-Balad.