Nazismo: Austríaco deixa herança para vilarejo francês que salvou sua família dos nazistas

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Paisagem ensolarada de casas francesas em um vale com uma floresta ao fundo
Le Chambon-sur-Lignon, na França, abrigou milhares de refugiados judeus

Um ex-refugiado austríaco deixou uma herança generosa a um vilarejo francês décadas depois de os moradores acolherem sua família durante a Segunda Guerra Mundial.

Eric Schwam, que morreu em dezembro aos 90 anos, havia sido abrigado na pequena cidade de Le Chambon-sur-Lignon com sua família em 1943.

O vilarejo, que fica no sudeste da França, protegeu milhares de judeus durante o conflito e tem uma longa reputação de proteger pessoas que sofrem perseguição.

O prefeito da cidade diz que Schwam deixou uma "grande quantia" para a cidade em seu testamento, mas não confirmou os valores.

O antigo prefeito da cidade, no entanto, disse à mídia local que Schwam havia conversado sobre o assunto com as autoridades uns anos atrás e a herança que ele deixou é estimada em cerca de 2 milhões de euros (R$ 13,3 milhões).

A cidade foi contatada por um tabelião há cerca de três semanas para discutir a doação, afirma Denise Vallat, secretária de cultura e comunicação em Le Chambon-sur-Lignon.

"Ele era um cavalheiro, era muito discreto e não queria muita publicidade sobre seu gesto", disse ela ao canal de TV France 3. "Pouco se sabe sobre ele, mas fizemos algumas pesquisas."

pessoas comemoram uma inauguração, no centro, um mulher branca usa uma faixa e uma mulher negra corta uma fita inaugural
Em 2013 a cidade inaugurou um memorial da resistência

De acordo com essa pesquisa, a família de Schwam era originária de Viena, onde seu pai era médico.

Durante a guerra, no entanto, eles foram mantidos pelos nazistas no campo de Rivesaltes, uma instalação militar no sul da França usada para prender civis. Em 1942, mais de 2.000 pessoas foram enviadas de Rivesaltes para o campo de concentração de Auschwitz, onde foram assassinadas.

Mas a família conseguiu fugir e em 1943 de Schwam chegou à Le Chambon-sur-Lignon com seus pais e uma avó. Não se sabe como a família de refugiados chegou à cidade.

Registros sugerem que os pais dele voltaram para a Áustria após a guerra, mas ele se mudou para Lyon em 1950 para estudar farmácia.

Lá ele conheceu sua esposa, se casou e viveu até sua morte, em dezembro do ano passado. De acordo com relatos na mídia local, o casal não tinha filhos e a mulher de morreu antes dele.

O prefeito de Le Chambon-sur-Lignon, Jean-Michel Eyraud, disse à agência de notícias AFP que a fortuna de Schwam será usada para financiar iniciativas educacionais e voltadas à juventude.

Le Chambon-sur-Lignon tem uma população de quase 2.500 pessoas, mas tem a reputação de ser um local de refúgio para pessoas perseguidas desde o século 17. Na época, protestantes huguenotes franceses que fugiam da perseguição religiosa se instalaram na cidade.

Fotografia em preto e branco mostra vilarejo em 1950
Le Chambon-sur-Lignon em 1950, cinco anos depois da guerra

Durante a Segunda Guerra Mundial, um pastor local e sua esposa lideraram iniciativas para proteger os refugiados judeus da ocupação nazista e de colaboradores do nazismo franceses na cidade de Vichy.

A notícia se espalhou através de grupos de direitos humanos, e a vila se tornou um centro do movimento de resistência, com moradores acolhendo e escondendo os refugiados.

A cidade de Le Chambon-sur-Lignon foi mais tarde homenageada por Israel pelas ações extraordinárias de sua população.

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