Negociação entre governo e oposição da Venezuela em ponto morto

Por Alex VASQUEZ
Deputado Luis Florido, um dos negociadores da opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), em 13 de janeiro de 2018 em Santo Domingo

A negociação entre o governo e a oposição venezuelanos que ocorre na República Dominicana parecia entrar em ponto morto, após a decisão da aliança opositora de não viajar a Santo Domingo nesta quinta-feira.

Os delegados da Mesa da Unidade Democrática (MUD) cancelaram sua viagem a Santo Domingo após o ministro da Defesa, general Néstor Reverol, afirmar que dirigentes da aliança opositora colaboraram com a localização do piloto rebelde Óscar Pérez, morto em uma operação policial na segunda-feira.

A MUD exigiu do ministro do Interior, Néstor Reverol, "uma retificação" por suas afirmações sobre a localização de Pérez, protagonista de ações contra o governo do presidente Nicolás Maduro.

Pérez foi encurralado com um grupo de homens em uma casa a 25 km de Caracas, e em um vídeo acusou as autoridades de querer matá-lo, sem aceitar sua rendição.

"Reverol mentiu para os venezuelanos e suas declarações bloqueiam a reunião", disse o deputado Luis Florido, um dos negociadores da MUD.

Jorge Rodríguez, principal negociador de Maduro, acusou a oposição de recorrer a "desculpas fúteis" para bloquear as negociações.

"Sucumbem à pressão dos que se negam à saída eleitoral na Venezuela, dos que querem boicotear a próxima eleição presidencial", disse Rodríguez, citando "fatores" dos Estados Unidos e de outros governos críticos a Maduro.

A Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) denunciou "o massacre horrível" envolvendo a morte de Pérez e declarou que "há evidências que precisam ser investigadas e explicadas razoavelmente aos familiares e a toda a comunidade venezuelana".

Enquanto as negociações parecem estancadas, representantes dos países da União Europeia (UE) em Bruxelas deram nesta quinta-feira seu aval a adoção de sanções contra responsáveis pela "repressão" e a crise política na Venezuela.

"Os embaixadores acertaram novas listas para impor medidas restritivas diante da situação na Venezuela", disse uma fonte diplomática à AFP, citando sanções individuais contra "sete pessoas".

As medidas, que incluem o congelamento de ativos e a proibição de viajar ao Bloco, deverão ser adotadas formalmente na semana que vem, "provavelmente" durante a reunião de chanceleres europeus na segunda-feira, segundo outra fonte diplomática.

O objetivo das sanções é "apoiar o processo de diálogo" em curso entre governo e oposição, indicou uma terceira fonte diplomática europeia, destacando a "percepção, que se confirmou nos últimos dias, de que se deve continuar pressionando".

Preocupada com a "deterioração" da democracia e os direitos humanos no país, a UE já adotou em novembro uma série de medidas, entre elas um embargo de armas e de material que poderia ser usado para "repressão interna".