Israel se alinha à perspectiva de um governo sem Netanyahu

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O líder radical de direita israelense, Naftali Bennett, anunciou seu apoio ao chefe da oposição Yair Lapid neste domingo (30), abrindo o caminho para uma coalizão que poderia remover do poder Benjamin Netanyahu, cujo mandato como primeiro-ministro é o mais longo da história de Israel.

Lapid, um político centrista à frente da oposição israelense, precisa conquistar o apoio de mais quatro deputados para formar uma coalizão capaz de encerrar o capítulo da era Netanyahu.

A missão para formar o governo, que o presidente israelense Reuven Rivlin concedeu a Lapid no início de maio, expira na quarta-feira 2 de junho às 23H59 locais (17H59 de Brasília).

"Farei tudo o possível para formar um governo de unidade com meu amigo, Yair Lapid", declarou Bennett, que vinha alimentando o mistério em torno de suas intenções há semanas.

"Na hora da verdade, é preciso saber assumir suas responsabilidades”, acrescentou ele durante discurso na televisão. "Yair e eu temos nossas diferenças, mas compartilhamos o amor por este país".

Os dois partidos deviam iniciar as negociações com vistas a um acordo na noite deste domingo, informaram em um comunicado.

- "Compromisso" -

"A esquerda assume compromissos que estão longe de ser fáceis, quando me dá a mim [...] o papel do primeiro-ministro", afirmou Bennett. Segundo os meios de comunicação israelenses, o acordo estabeleceria que ele esteja à frente do governo nos primeiros anos do mandato para depois ceder o cargo a Lapid.

"Este governo será um perigo para a segurança do Estado de Israel. Este é o golpe do século", Netanyahu reagiu após o anúncio, também durante um discurso transmitido pela televisão.

Para formar o governo, Lapid, que dirige o partido de centro Yesh Atid ("Há um futuro"), deve obter o apoio de 61 deputados. Com o apoio da esquerda, do centro e duas formações da direita, ele alcançou 51, antes de Bennett anunciar que também iria apoiá-lo.

Bennett, à frente da formação Yamina ("À direita"), obteve sete cadeiras nas eleições legislativas de 23 de março, a quarta realizada em dois anos. Mas um de seus membros indicou que não colaboraria com o campo anti-Netanyahu.

Assim, com esses seis apoios adicionais, o bloco, que pede uma mudança após 12 anos consecutivos de Netanyahu no poder, ainda terá que convencer outros quatro deputados. Para isso, poderia recorrer aos partidos árabes israelenses, que ainda não expressaram sua posição.

- "Substituir o regime de Netanyahu" -

Após semanas marcadas por 11 dias de confrontos entre o grupo Hamas, no poder em Gaza, e o exército israelense, devido às tensões em Jerusalém Oriental e os confrontos nas cidades "mistas" de Israel, a ideia de um "governo de união nacional retorna ao debate.

"Estamos aqui juntos, a nossa luta é comum, este país é responsabilidade de todos", sublinhou Lapid na sexta-feira.

Mais cedo neste domingo, Netanyahu tinha pedido no Twitter a Bennett reunir suas fuileiras e a Gideon Saar, líder de um pequeno partido de direita, a se reunir "imediatamente" para discutir uma possível coalizão.

Mas Saar, um ex-militante do Likud, disse no Twitter que não estava interessado e queria continuar com seu plano: "substituir o regime de Netanyahu".

Vinte e cinco anos atrás, Netanyahu derrotou o trabalhista Shimon Peres e tornou-se primeiro-ministro por três anos. Em 2009, ele voltou ao poder e não o deixou desde então.

Processado por "corrupção" em três casos, ele é o primeiro chefe de governo israelense a ser julgado durante seu mandato.

Se o campo anti-Netanyahu não conseguir formar um governo, 61 deputados poderão pedir ao presidente que designe, para uma última tentativa, um parlamentar de sua escolha, que poderia ser Netanyahu, Lapid, Bennett ou outro nome.

Se esta opção também fracassar, a Knesset (Parlamento) seria dissolvida e o país organizaria as quintas eleições em pouco mais de dois anos.

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