Negociação de vacinas para mercado privado começou um mês antes de lei sobre o assunto

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O ex-assessor do Ministério da Saúde coronel Marcelo Blanco em depoimento à CPI - Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
O ex-assessor do Ministério da Saúde coronel Marcelo Blanco em depoimento à CPI - Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
  • Ex-assessor do Ministério da Saúde admitiu que conversas sobre venda de vacinas para o setor privado começaram antes de haver projeto de lei sobre o tema

  • Coronel Marcelo Blanco presta depoimento nesta quarta-feira à CPI da Pandemia

  • Ele disse que buscava um "modelo de negócio" para quando a questão fosse regulamentada

Em seu depoimento à CPI da Pandemia, o ex-assessor do Ministério da Saúde tenente-coronel da reserva Marcelo Blanco afirmou que discutiu sobre a comercialização de vacinas contra a Covid-19 para o mercado privado antes mesmo de existir legislação que tratasse do tema ou mesmo um projeto de lei.

Blanco disse que, no início de fevereiro, já debatia a questão, mas a proposta que previa a possibilidade só foi sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro um mês depois, em março.

O presidente da comissão, senador Omar Aziz, ressaltou que o fato, então, indicava que ele tinha "informações privilegiadas". "O senhor sabia que poderia aprovar essa lei e já se antecipava", resumiu.

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O coronel tentou se justificar e argumentou que tentava buscar um "modelo de negócio" para quando esse tipo de venda fosse regulamentada. "A gente percebeu um primeiro movimento do Parlamento em debater uma pauta dessa e eu só queria construir um modelo de negócio", disse.

A senadora Eliziane Gama e o senador Randolfe Rodrigues também questionaram o coronel sobre a antecipação do debate, sendo que o tema ainda não estava em discussão no Congresso.

Ao fazer referência à data em que o ex-assessor disse que já falava sobre o assunto, Randolfe foi enfático na resposta. "Mas, nessa época, não tinha nem concepção de projeto", concluiu.

Blanco, mais uma vez, justificou afirmando que não tinha a intenção de negociar alguma coisa que não tivesse instrumento legal para respaldá-la.

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