Negociador de 400 milhões de vacinas recebia auxílio emergencial

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Cristiano Alberto Carvalho, representante da empresa Davati no Brasil
Cristiano Alberto Carvalho, representante da empresa Davati no Brasil
  • Cristiano Alberto Carvalho, representante da Davati no Brasil, recebeu auxílio emergencial

  • O empresário, segundo investigações negociou vacinas da AstraZeneca ao Ministério da Saúde

  • Outro suposto representante da empresa teria recebido pedido de propina de US$ 1 por dose

Representante da empresa Davati no Brasil, que negociou vacinas contra o coronavírus ao Ministério da Saúde, Cristiano Alberto Carvalho foi um dos beneficiários do auxílio emergencial entre abril e dezembro do ano passado, segundo reportagem do jornal O Globo.

O negociador da venda bilionária de 400 milhões de doses da AstraZeneca ao Ministério da Saúde recebeu R$ 4,2 mil de recursos do Ministério da Cidadania, então comandado por Onyx Lorenzoni, destinados a cidadãos com dificuldades financeiras na pandemia.

Segundo investigações, o Ministério da Saúde marcou reunião com a Davati Medical Supply, menos de cinco horas depois de receber a proposta da empresa para aquisição de 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca. Na reunião, Luiz Paulo Dominghetti, suposto representante da empresa, teria recebido pedido de propina de US$ 1 por cada dose para fechar um contrato.

As informações constam em e-mails obtidos pelo Fantástico, da TV Globo. o programa teve acesso a emails e a mensagens enviadas por Dominghetti, que é o autor da denúncia de corrupção e pedido de propina, feita ao jornal Folha de S.Paulo e confirmado na semana passada, por ele próprio, na CPI da Covid.

Segundo a reportagem da TV Globo, Hernan Cardenas, diretor da Davati, encaminhou email a Roberto Dias, diretor de Logística do Ministério da Saúde. Na mensagem, ele ofereceu as doses da vacina. Era dia 26 de fevereiro.

Às 10h30, o governo brasileiro respondeu marcando uma reunião para o mesmo dia, menos de cinco horas depois.

"Este ministério manifesta total interesse na aquisição das vacinas. Agendar uma reunião, hoje, às 15h", diz o email do Ministério da Saúde em resposta à Davati.

Na denúncia de Dominghetti ao jornal Folha de S. Paulo, ele disse que o então diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, cobrou propina de US$ 1 por dose de vacina. Segundo Dominguetti, a cobrança de propina foi feita durante um jantar em um restaurante no Brasília Shopping. Era dia 25 de fevereiro de 2021 — ou seja, um dia antes do email obtido pelo Fantástico.

"Nos chama a atenção essa rapidez com que a Davati acessou os altos escalões do Ministério da Saúde. Se o governo tivesse tido a mesma serenidade com a Pfizer, que teve com a Davati, nós já teríamos brasileiros imunizados desde dezembro", disse o vice-presidente da CPI da Covid, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), em entrevista ao Fantástico.

Em nota, a Davati infomou não ser representante do laboratório AstraZeneca e que não detinha a posso das vacinas.

"[A emrpesa] jamais se apresentou ao governo federal ou a qualquer outro órgão como tal. Como esclarece o documento de oferta (Full Corporate Offer) feita ao Ministério da Saúde, a Davati Medical Supply não detinha a posse das vacinas, atuando na aproximação entre o governo federal e "allocation holder" que possuía créditos vacinas do laboratório AstraZeneca".

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