'Negras Cabeças': exposição retrata ancestralidade negra por meio de adornos e penteados de mulheres

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“Nossa História, a História do povo preto, aquela que não está nos livros”. É assim que a artista visual Íldima Lima, a illi, resume a exposição "Negras Cabeças", com oito obras suas que têm como referência registros históricos de mulheres pertencentes a diferentes grupos étnicos que usavam penteados e adornos como forma de expressão cultural. A mostra estreia no domingo (25), Dia da da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha.

Nascida em Salvador, a artista de 39 anos diz que "Negras Cabeças” é uma celebração à ancestralidade, à cultura e ao saber das mulheres pretas. A exposição apresenta pinturas de mulheres das etnias Betsimisaraka, Mangbetu, Suri, Mursi, Mwila, Mbalantu, Fulani e Himba. Illi explica que os adornos das cabeças eram uma forma de comunicação não verbal, uma ancestralidade que se comunica com o futuro.

De fato, enquanto trabalho na exposição, a própria Illi passa por uma transição capilar. Em 2018, ela tirou as tranças e decidiu parar de alisar o cabelo. Segundo ela, durante sua infância e adolescência, as representações da mídia eram sexistas, racistas e misóginas, o que contribuiu para que muitas meninas negras tivessem sua construção identitária distorcida. Illi conta que a transição não tem sido fácil, mas vale a pena:

— Sinto que o processo de transição e o meu trabalho se influenciaram mutuamente. Não digo isso apenas pela perspectiva de assumir o cabelo natural, mas também de me reconectar com nossa ancestralidade e reconhecer beleza em nossos traços. Falo também do enfrentamento social, afinal são muitos os relatos de meninas e mulheres que têm dificuldade de conseguir empregos ou passam por situações racistas por conta do uso do cabelo natural. É um processo que começa de dentro para fora; a transição em si é a parte aparente da jornada e vai muito além dela.

Íldima, que já foi Relações Públicas, hoje é dona da Illi, marca autoral que tem como propósito promover o protagonismo da mulher negra nas artes visuais. Dedicar-se à pintura foi a forma que ela encontrou de seguir um propósito e se conectar-me com sua ancestralidade e com as pessoas que vivem processos parecidos com o seu.

— Entendi que era o momento de alimentar um sonho meu e não o de uma corporação — explica. — A arte sempre permeou minha vida. Na infância e adolescência através da dança, fui bailarina clássica regular até os 13 anos, depois fiquei indo e voltando na fase adulta. Foi na infância também que começou o interesse pelo cinema e pela pintura. Todas as brincadeiras de alguma maneira precisavam estar alinhadas a esses interesses — lembra.

Serviço

O que: Exposição Negras Cabeças, de illi. Onde: www.negrascabecas.art. Quando: a partir de domingo, 25 de julho.

* estagiária, sob supervisão de Renata Izaal

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