Nem a chuva atrapalha o cortejo da Banda de Ipanema

Rodrigo de Souza
Roberto Carvalho (ao centro) e seus amigos com cotonetes de pelúcia

RIO - Apesar da chuva, a Banda de Ipanema partiu pontualmente, às 17h, da Praça General Osório. O tradicional bloco carioca, que nasceu em 1965 e foi declarado patrimônio cultural do Rio de Janeiro em 2004, homenageia este ano os músicos Teresa Cristina e Moacyr Luz, cujas obras fazem parte do extenso repertório a ser executado pelos 60 músicos da bateria.

Segundo a assessoria do bloco, a expectativa de público é de 50 mil pessoas. O diretor de bateria, Eduardo Mendes, expressou alegria por ver tanta gente acompanhando o bloco, apesar do tempo chuvoso.

— Mas eu queria que a chuva passasse, para a gente curtir melhor - disse Eduardo, que desfila com a Banda de Ipanema há 56 anos, desde o primeiro cortejo do bloco.

Morwena Ganz, de 33 anos, provava que o carnaval de rua é para todo mundo. De cadeira de rodas, ela desfilava contente dentro do cordão de isolamento da Banda de Ipanema, o que tem feito há seis anos.

— Ela ama — diz Ariane Cosso, sua tia e acompanhante. — Quando viemos pela primeira vez, a Banda nos chamou para dentro do cordão. Desde então, todo ano.

Os cotonetes de pelúcia empunhados por Roberto Carvalho e sua turma já aparecem há vinte anos consecutivos no carnaval de rua. Os cotonetes, aliás, são os únicos componentes fixos do figurino do cabeleireiro — que, este ano, resolveu sair de toalha, em harmonia com o tempo chuvoso.

— É uma fantasia bem versátil, porque a gente pode usar em casa quando o carnaval acabar — diz Roberto, de 50 anos, que estava acompanhado de dois amigos com a mesma fantasia. — Só os cotonetes é que precisamos fazer novos, porque no fim do carnaval eles já estão muito acabados.

Sobre a controvérsia em torno do uso de roupas femininas por homens em carnavais, consideradas fantasias "canceladas", Roberto diz não se importar:

— Para mim, o importante é estar feliz. Se a pessoa está feliz, está tudo certo.