Nenhum bloco obtém maioria nas legislativas da Dinamarca; centro será fiel da balança

O bloco de esquerda da primeira-ministra social-democrata, Mette Frederiksen, liderou as eleições legislativas celebradas nesta terça-feira (1º) na Dinamarca, mas não conseguiu maioria absoluta contra o bloco que reúne direita e extrema direita, segundo as pesquisas de boca de urna.

Com entre 16 e 17 cadeiras de um total de 179 no Parlamento dinamarquês, o centro pode se tornar o fiel da balança entre a esquerda (85/86 parlamentares) e o bloco de direita e extrema direita (73/74), segundo as pesquisas divulgadas no fechamento das seções eleitorais pelas emissoras públicas DR e TV2.

No entanto, nada é certo por enquanto. Este cenário deixa em aberto várias possibilidades, incluindo uma nova nomeação de Frederiksen ou a nomeação de um novo premier de centro ou inclusive de direita.

De qualquer forma, o apoio dos moderados, um partido de centro fundado pelo ex-premiê liberal Lars Lokke Rasmussen, parece indispensável para formar uma maioria.

Com apenas 2% das intenções de voto há dois meses, este partido superaria 9%, assentando sua posição de árbitro.

"Faremos tudo o possível para ser o ponto de união, esta é a ideia", disse Løkke Rasmussen após a votação, assegurando que não aspira a um terceiro mandato como primeiro-ministro.

Estas eleições foram convocadas após a "crise dos visons", escândalo que surgiu durante a pandemia de covid-19, quando o governo decretou o abate de milhões de animais, uma decisão que mais tarde se revelou ilegal.

Um aliado minoritário do governo ameaçou, então, derrubar o Executivo se não fossem convocadas eleições para garantir o apoio dos cidadãos.

A campanha foi dominada por questões como o clima, a inflação e a possível reforma do sistema de saúde.

- "Refugiados zero" -

Este país nórdico defende há 20 anos políticas migratórias muito restritivas.

O atual governo defendeu uma política de "zero refugiados" e trabalhou para estabelecer um centro de recepção em Ruanda para processar pedidos de asilo.

A maioria dos partidos apoia políticas restritivas e a questão não costuma ser objeto de debate.

Enquanto isso, o clima é um tema quente neste país de 5,9 milhões de pessoas. No domingo, cerca de 50.000 pessoas, incluindo a primeira-ministra, reuniram-se para a "Marcha do Povo pelo Clima" em Copenhague.

A esquerda prometeu uma lei para proteger a biodiversidade e quer impor um imposto sobre as emissões de carbono da agricultura, uma medida apoiada por outros partidos.

À direita, o Partido Liberal está comprometido com o desenvolvimento de soluções verdes, enquanto a extrema-direita se declarou aberta à construção de usinas nucleares em um país que não possui nenhuma central.

No total, 14 partidos disputam 179 cadeiras no Parlamento, com quatro representantes reservados aos territórios autônomos: Groenlândia e Ilhas Faroe.

Na Dinamarca, a participação eleitoral é tradicionalmente alta. Em 2019, 84,6% dos quase 4,2 milhões de eleitores compareceram às urnas.

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