'Nenhum desconforto', diz ministro da Casa Civil sobre relações de Daniela do Waguinho

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, disse nesta quarta-feira que não há desconforto com a situação política da ministra do Turismo, Daniela do Waguinho. Deputada federal e alçada à chefia da pasta por indicação do União Brasil, ela já fez campanha lado a lado com um miliciano condenado a 22 anos por homicídio.

— Até aqui nenhuma repercussão, nenhuma materialidade concreta sobre nada que crie nenhum tipo de desconforto até o momento. Se surgirem coisas novas, aí é outra história. Mas, até aqui, não tem nada que provoque nenhum tipo de desconforto não — disse Rui Costa, antes da posse da nova ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

Em 2018, Juracy Alves Prudêncio, o Jura, aparece em fotos entregando santinhos ao lado de Daniela numa passeata na Baixada Fluminense. Na época, Jura estava preso em regime semiaberto, conseguiu autorização da Justiça para sair da cadeia para trabalhar e ganhou o cargo de Diretor do Departamento de Ordem Urbana na Prefeitura de Belford Roxo, comandada pelo marido de Daniela, Wagner dos Santos Carneiro, o Waguinho.

Na época, Daniela conseguiu ser eleita deputada federal. Em nota, a ministra afirmou que "apoio político não significa que ela compactue com qualquer apoiador que porventura tenha cometido algum ato ilícito".

Questionado pelo GLOBO sobre a situação da ministra, o Palácio do Planalto não respondeu.

A ministra carrega em sua trajetória política acusações de irregularidades eleitorais como boca de urna, e ganhou projeção ao ser nomeada em secretaria, sob suspeita de nepotismo, na Prefeitura de Belford Roxo. No escândalo da Fundação Ceperj, que culminou em denúncia do Ministério Público Eleitoral contra o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), uma das assessoras da ministra também foi citada, antes de ser exonerada.