'Nenhuma relação amorosa estava preparada para enfrentar a pandemia', diz Amalia Andrade

Talita Duvanel

Seria trágico, se não fosse cômico. O fim do relacionamento da jornalista e ilustradora colombiana Amalia Andrade, de 34 anos, com uma companheira trouxe um sofrimento que, depois de muitas lágrimas, foi transformado no divertido livro “Você sempre troca o amor da sua vida (por outro amor ou por outra vida)” (Planeta), que acaba de sair no Brasil, depois de vender cerca de 500 mil cópias, somando edições em espanhol e inglês.

Ao longo de 224 páginas, há listas, conselhos, piadas, convites para desenhar ou construir os próprios rankings e, principalmente, pensar no que entendemos como amor ideal. “Percebi que um coração partido é uma grande oportunidade de conhecer a si mesmo e curar muitas coisas, incluindo a maneira como amamos”, diz Amalia, em entrevista por e-mail. “Era muito importante fazer um livro que parecesse um diálogo com o leitor, que fosse escrito à mão. Nada foi mais honesto do que falar sobre nossos sentimentos com a própria caligrafia. Eu permito que o leitor seja escritor junto comigo.”

Isolada em Bogotá por causa do novo coronavírus, Amalia acredita que sua obra, apesar de falar do rompimento de relações amorosas, se encaixa perfeitamente nesse momento de ruptura com determinados modos de vida aos quais estávamos acostumados no mundo pré-Covid-19. “Uma das coisas mais difíceis que uma pessoa com o coração partido enfrenta é aprender a se sentir confortável e calma diante da dor. Normalmente, queremos que o sofrimento desapareça a todo custo e o mais rápido possível. Mas não é assim que funciona. Quanto mais cedo entendermos que não há problema em errar, que a dor vai durar por um tempo, mais suportável será”, diz. “O mesmo está acontecendo no momento com a pandemia. Queremos que tudo volte ao normal e que isso desapareça. Não será assim. Essa situação (de pandemia) é como um rompimento (amoroso), e é exatamente por isso que este livro pode ser muito útil.”

Por dentro das notícias de tantos divórcios em tempos de quarentena, a colombiana, hoje num relacionamento estável com outra parceira, pede calma aos leitores mundo afora. “A coexistência compulsória não é simples, assim como também não é fácil estar em harmonia enquanto vivemos em uma distopia em que o mundo está entrando em colapso. Nenhuma relação estava preparada para enfrentar isso”, reflete. “Portanto, eu recomendaria não julgar ou terminar uma história pelas loucuras ou circunstâncias que isso causa. Eu tomaria decisões na pós-pandemia”.