Fortes chuvas deixam 100 mortos e cerca de 260 mil deslocados no Quênia

Nairóbi, 3 mai (EFE).- Mais de um mês de fortes chuvas e inundações no Quênia provocaram cerca de cem mortos e 260 mil pessoas deslocadas, informou nesta quinta-feira a Cruz Vermelha do país africano.

Esses números refletem um aumento de mortos desde o dia 25 de abril, quando as inundações tinham causado pelo menos 72 mortes e 211 mil deslocados desde março, segundo indicou então o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha).

Quase 30 condados foram afetados pelas intensas precipitações, alguns dos quais ainda se recuperavam da seca que castigou essas regiões em 2017.

"Esta é uma dupla tragédia para muitas comunidades", declarou o secretário-geral da Cruz Vermelha do Quênia, Abbas Gullet, em comunicado.

"Apoiaremos as pessoas de 15 dos 29 condados afetados. Estes incluem dez condados que já tínhamos ajudado através do nosso programa de resposta à seca", ressaltou Gullet sobre uma operação apoiada também pela Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV).

As inundações podem desencadear ou piorar surtos de doenças como malária e cólera, visto que fontes de água potável foram contaminadas e 33 centros médicos foram destruídos, junto com casas, plantações, sistemas de irrigação, equipamentos agrícolas, estradas e linhas ferroviárias, advertiu a Cruz Vermelha.

"Já há surtos ativos de cólera em cinco dos condados afetados por inundações. Tememos que esses focos piorem e se propaguem", ressaltou a diretora regional para a África da FICV, Fatoumata Nafo-Traoré.

A FICV e a Cruz Vermelha do Quênia fizeram um apelo de emergência internacional para arrecadar 4,7 milhões de francos suíços para fornecer refúgio, comida, água e cobrir outras necessidades de 150 mil afetados. EFE