Neta de Lily Safra, bobby monteverde se prepara para abrir galeria em londres com artistas brasileiros

Gilberto Júnior
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Acomodada no sofá da ampla sala de estar de Narcisa Tamborindeguy, amiga da família, a inglesa Bobby Monteverde mostra três folhas com nomes de artistas brasileiros que admira. Olhando novamente os papéis, destaca Adriana Varejão, Beatriz Milhazes, Tarsila do Amaral, Ernesto Neto e o jovem Maxwell Alexandre. E percebe que se esqueceu de um de seus maiores heróis, o pintor e escultor carioca Cildo Meireles. “Eu me lembro que comecei a chorar quando o encontrei em Londres, ainda na minha adolescência. Sabe aquele momento em que um fã dá de cara com seu ídolo? Foi exatamente assim. Fiquei em choque. E Cildo é um cara tão formidável. Eu o amo tanto”, diz Bobby.

Aos 27 anos, a inglesa sempre teve interesse em arte — inclusive, cresceu numa família de colecionadores (“É nossa paixão”). Na Central Saint Martins, foi uma aluna dedicada do curso de Belas Artes, dando continuidade aos estudos num mestrado na Royal College of Art. No momento, está finalizando o doutorado em Belas Artes e Antropologia, na University College London. “Na minha terra, assim como no mundo inteiro, a educação está um caos. Não dá para fazer arte por aplicativos como o Zoom”, observa Bobby, que está no Rio desde dezembro fechando parcerias para a galeria que pretende inaugurar, na capital inglesa, assim que a pandemia estiver controlada. “Posso adiantar que os artistas brasileiros terão destaque no espaço, e que as mulheres serão maioria. É uma obrigação da nossa sociedade reparar a falta de equidade que existe na arte.”

Arriscando uma palavra ou outra em português, a neta de Lily Safra conta que é uma “britânica com coração carioca”. “Venho ao Brasil algumas vezes por ano, pois tenho um apartamento em Ipanema. Entendo bem o idioma, mas prefiro conversar em inglês porque cometo muitos erros”, comenta Bobby, filha de Carlos Monteverde, herdeiro do Pontofrio, com a modelo egípcia Isis Monteverde. “Com minha família aprendi uma importante lição: ‘Fazer o bem é bom’. Tenho até essa frase tatuada no corpo. Meu avô paterno, Alfredo João Monteverde (fundador da rede varejista), é o meu ídolo. Ele acreditava nisso piamente e doava parte dos lucros para a caridade. Foi pioneiro ao introduzir o parcelamento. Ah, e vovô era um playboy que as mulheres amavam. Era um homem carismático e apaixonante.”

A conversa chega ao fim, e Bobby está pronta para a foto. “Minha mãe me fez um único pedido: ‘Filha, você tem que parecer hot’. Então, me deixe como a Gisele Bündchen.”