Neta de Mandela critica Harry e Meghan por 'ganhar milhões' em cima do legado do avô

A ativista e escritora Ndileka Mandela, neta do falecido ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, criticou o príncipe Harry e a mulher dele, Meghan, por usar o legado de seu avô para chamar atenção no novo documentário "Live to lead", disponibilizado na Netflix no último mês. Ndileka, de 57 anos, disse ao jornal The Australian em entrevista publicada nesta quarta-feira que está "profundamente chateada" com o casal.

— O que tem a ver a vida do meu avô com a dele (Harry)? — indagou Ndileka.

O filme, um projeto da Fundação Nelson Mandela, criado e dirigido por Geoff Blackwell e produzido pelo duque e a duquesa de Sussex, mostra cenas de quando o principal líder do movimento contra o apartheid na África do Sul saiu da prisão em 1990.

— Não acredito que ele nem Meghan tenham conhecido o avô, talvez quando Harry era jovem no Palácio de Buckingham, mas eles estão usando suas citações no documentário para atrair pessoas e ganhar milhões sem a Família Mandela estar se beneficiando. Eu sei que a Fundação Nelson Mandela apoiou a iniciativa, mas as pessoas roubaram citações do avô por anos e usaram seu legado porque sabem que seu nome vende. Harry e Meghan não são diferentes deles.

Apesar disso, Ndileka disse que ainda "admira" o duque de Sussex por "ter confiança para romper com uma instituição tão icônica quanto a família real".

— Vovô se rebelou contra um casamento arranjado para encontrar seu próprio caminho na vida. Mas tem um preço, você tem que financiar sua própria vida. Fiz as pazes com as pessoas que usaram o nome do avô, mas ainda é profundamente perturbador e maçante toda vez que isso acontece.

Para Ndileka, Harry deveria "ser autêntico e se ater à sua própria história" em vez de usar a de Mandela.

Em 2015, o príncipe Harry disse ao Nelson Mandela Center of Memory sobre seu encontro com o líder.

— Tive a sorte de conhecer Madiba há vários anos e guardo essa memória desde então — afirmou.

A série produzida por Harry e Meghan exibe, em sete episódios, entrevistas com líderes mundiais e figuras públicas, como Jacinda Ardern e Greta Thunberg. A inspiração surgiu quando Blackwell e Ruth Hobday trabalhavam num projeto sobre Nelson Mandela em 2018. De acordo com o diretor, o objetivo foi "honrar os valores de Mandela, trazendo à tona as histórias de líderes que se distinguem por sua coragem moral, a convicção de seus ideais e valores e sua priorização dos outros".