Netanyahu condena ataque em Brasília e amplia isolamento de Bolsonaro mesmo entre conservadores

***ARQUIVO***JERUSALÉM, ISRAEL - Aloysio Nunes (à dir) se reúne com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, em Jerusalém. (Foto: Daniela Kresch/Folhapress
***ARQUIVO***JERUSALÉM, ISRAEL - Aloysio Nunes (à dir) se reúne com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, em Jerusalém. (Foto: Daniela Kresch/Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, condenou nesta terça-feira (10) o que chamou de "violentos distúrbios" em Brasília, em referência à invasão e à depredação orquestrada por uma multidão bolsonarista no domingo (8).

"Israel condena os violentos distúrbios em Brasília no domingo e apoia as instituições democráticas brasileiras e o Estado de Direito", diz nota publicada pelo perfil oficial do premiê no Twitter nesta terça-feira (10). "Não há espaço para protestos violentos em uma democracia, e a vontade do povo, expressa nos resultados das eleições, deve ser respeitada."

Netanyahu, que assumiu um novo mandato à frente do governo de Israel, é ideologicamente alinhado a Jair Bolsonaro e fez campanha por ele contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sua manifestação aprofunda o isolamento do agora ex-presidente e indica que, mesmo para aliados internacionais do bolsonarismo, o silêncio prolongado diante do ataque escancarado à democracia brasileira não seria de bom tom.

O ex-presidente dos EUA Donald Trump, que insuflou a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021 -movimento considerado a inspiração dos extremistas que atacaram Brasília- não se pronunciou publicamente sobre a insurreição brasileira. Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria e acusado de minar a democracia em seu país, também ignorou o assunto em suas manifestações públicas -seu chanceler ofereceu ajuda à campanha de Bolsonaro para tentar viabilizar a reeleição em outubro.

Além de Netanyahu, porém, líderes da Itália e da Polônia também condenaram os ataques a Brasília. A italiana de ultradireita Giorgia Meloni a princípio apenas compartilhou uma publicação de seu vice, Antonio Tajani, em que ele disse que acompanhava com preocupação a situação no Brasil e que "qualquer ato de violência contra as instituições democráticas deve ser veementemente condenado".

Mais tarde, fez uma nova publicação. "O que está acontecendo no Brasil não pode nos deixar indiferentes. As imagens da irrupção nas sedes das instituições são inaceitáveis e incompatíveis com qualquer forma de dissidência democrática. O retorno à normalidade é urgente, e nos solidarizamos com as instituições brasileiras."

O polonês Andrzej Duda, também um expoente da direita ultraconservadora, não condenou diretamente os ataques, mas fez uma publicação em tom quase resignado defendendo a democracia. "A democracia não é perfeita. Às vezes, apenas 50% + 1 dos eleitores estão satisfeitos. Mas nada melhor foi inventado para garantir o bem-estar das pessoas. As instituições democráticas (eleições) são sagradas. O presidente Lula venceu e tem o apoio do mundo democrático, incluindo a Polônia!"

Na Índia, o premiê Narendra Modi, alinhado ao manual nacionalista que guia o bolsonarismo, expressou "profunda preocupação" com o que chamou de "tumultos e vandalismo" em Brasília. "As tradições democráticas devem ser respeitadas por todos. Estendemos nosso total apoio às autoridades brasileiras", afirmou o indiano, marcando na publicação o perfil oficial de Lula.

Outros dois líderes à direita que compartilham com Bolsonaro tendências autocráticas não se posicionaram publicamente sobre os ataques às sedes dos Três Poderes: Alejandro Giammattei, eleito na Guatemala com uma plataforma de defesa de valores cristãos e combate ao crime semelhante à do brasileiro, e Nayib Bukele, presidente de El Salvador que se apelidou nas redes de o "ditador mais cool" -ele aparelhou a Suprema Corte, tem atuado para silenciar a imprensa independente e decretou um estado de exceção seguido de uma série de denúncias de abusos e maus-tratos.