Netanyahu considera "antissemita" a decisão do TPI sobre Territórios Palestinos

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Palestinos enfrentam as forças de segurança israelenses após protestos contra expansão das colônia na localidade de Beit Dajan, na Cisjordânia ocupada, em 5 de fevereiro de 2021

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou neste sábado que a decisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) de declarar-se competente sobre a situação dos Territórios Palestinos ocupados era "pura e simplesmente antissemitismo".

O tribunal decidiu na sexta-feira que tem jurisdição sobre a situação dos Territórios Palestinos ocupados, o que abre o caminho para que a Procuradoria do TPI inicie uma investigação por crimes de guerra.

"Quando o TPI investiga Israel por falsos crimes de guerra isto é pura e simplesmente antissemitismo", afirmou Netanyahu em um comunicado.

Fatou Bensouda, a procuradora do tribunal, criado em 2002 para julgar os piores crimes cometidos no mundo, havia solicitado ao TPI que decidisse sobre o ponto e assumisse uma investigação preliminar de cinco anos após a guerra de 2014 na Faixa de Gaza.

O TPI "supõe que quando Israel, um Estado democrático, se defende contra terroristas que assassinam nossas crianças e lançam foguetes contra nossas cidades, estamos cometendo um crime de guerra", disse Netanyahu, em referência ao conflito de 2014, durante o qual milhares de projéteis foram disparados de Gaza contra Israel.

Esta guerra deixou 2.251 mortos do lado palestino, em sua maioria civis, e 74 do lado israelense, essencialmente soldados.

"O TPI se recusa a investigar ditaduras brutais, como Irã ou Síria, que cometem atrocidades horríveis diariamente", criticou o primeiro-ministro israelense.

Netanyahu chamou na sexta-feira o TPI de "tribunal político".

O Hamas, que governa a Faixa de Gaza, considerou que a decisão do TPI constitui uma "etapa importante".

Mas o movimento islamita, que controla o território palestino desde 2007, afirmou que a "etapa mais importante" seria "adotar as medidas necessárias para levar os criminosos de guerra sionistas aos tribunais internacionais e culpá-los pelos crimes que cometeram".

O território palestino, onde vivem dois milhões de pessoas, foi cenário de três conflitos armados com Israel (2008, 2012, 2014).

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