Netanyahu e seus aliados conquistam maioria em legislativas de Israel

O ex-primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e seus aliados religiosos e de extrema-direita conquistaram a maioria dos assentos nas eleições legislativas da última terça-feira (1º), anunciou a Comissão Eleitoral nesta quinta-feira (3).

O bloco de direita conquistou 64 assentos de 120 no Parlamento, divididos entre o Likud de Netanyahu (32 assentos), partidos ultra-ortodoxos (18) e uma aliança de forças de extrema-direita (14).

O bloco do primeiro-ministro em fim de mandato, o centrista Yair Lapid, conquistou 51 assentos.

"O primeiro-ministro Lapid parabenizou Netanyahu por sua vitória eleitoral e informou ao chefe da oposição que deu instruções para preparar uma transição ordenada", declarou o gabinete de Lapid em comunicado.

Agora resta ao presidente israelense, Isaac Herzog, que tem um papel principalmente simbólico, encarregar o líder político de formar um governo no prazo de 42 dias.

O gabinete se alinha como o governo mais à direita da história de Israel.

A divulgação dos resultados se deu num dia em que quatro palestinos morreram pelas forças israelenses na Cisjordânia e em Jerusalém, entre eles o autor de um ataque e um combatente, em um contexto de episódios de violência.

Israel também interceptou um foguete disparado a partir da Faixa de Gaza sobre seu território, informou o exército.

A mesma fonte informou posteriormente que outros três disparos de foguetes foram feitos na noite a partir do enclave palestino, submetido há 15 anos a um estrito bloqueio israelense e governado pelo movimento islamita Hamas.

"É hora de trazer a segurança de volta às ruas, restaurar a ordem, mostrar quem está no comando, é hora de matar um terrorista que realiza um ataque", disse o líder de extrema-direita Itamar Ben Gvir. O governo Lapid "está chegando ao fim", acrescentou.

- Netanyahu, contra tudo e contra todos -

Lapid conseguiu estabelecer no ano passado uma coalizão diversa para afastar Netanyahu, o primeiro-ministro que passou mais anos à frente do governo do país (1996-1999 e 2009-2021).

Mas Netanyahu, de 73 anos, se aferrou à vida política e não se afastou da liderança do partido, como esperavam os críticos. Ele teve um papel crucial de líder da oposição, com o objetivo de retornar ao poder e possibilidade de apresentar ao Parlamento a proposta para aprovar uma imunidade e anular o processo por corrupção previsto para ser retomado na segunda-feira.

De acordo com a imprensa israelense, o grupo de Netanyahu não esperou o pedido formal e o ex-premiê designou Yariv Levin, um de seus principais aliados, para iniciar as negociações que prometem ser complexas, especialmente com o partido Sionismo Religioso.

O líder desta formação, Bezalel Smotrich, já afirmou que deseja os ministérios da Defesa e da Segurança Pública, duas pastas cruciais do governo no momento em que a violência entre israelenses e palestinos registra o pior momento em sete anos.

As nomeações para os postos chaves podem ser "embaraçosas no cenário internacional", disse o analista palestino Khaldoun Barghouti.

Yosi Klein Halev, um pesquisador do Instituto Shalom Hartman de Jerusalém, assegurou à AFP que "Netanyahu terá dificuldades em controlar seus novos parceiros".

O Departamento de Estado americano afirmou que não pretende "especular" sobre um governo, mas destacou que espera que "todas as autoridades israelenses continuem compartilhando os valores de uma sociedade aberta, democrática e tolerante com respeito à sociedade civil, em particular aos grupos minoritários".

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