Indiano que deu sapatadas em comissário de bordo vive novo dia de fúria

Nova Délhi, 20 abr (EFE).- Um deputado indiano que em março desferiu 25 sapatadas em um funcionário da companhia aérea Air India foi denunciado por um novo ataque de fúria, agora contra policiais que o impediram de interromper o trânsito para protestar por não ter conseguido sacar dinheiro de um caixa automático.

Irritado porque não havia dinheiro nos caixas da localidade de Latur, Ravindra Gaiwand, do partido hinduista de extrema direita Shiv Sena, decidiu convocar um protesto ontem, explicou nesta quinta-feira à Agência Efe um porta-voz do batalhão de polícia responsável pelo local onde aconteceu o incidente, o inspetor G.L. Bhatalvande.

"Não é permitido reunir tanta gente em um local público sem aviso prévio. Quando nos informaram, fomos até o local e ele ficou muito agressivo e utilizou uma linguagem que não deveria ter utilizado", explicou o comando policial.

Em um vídeo do político que viralizou na internet nas últimas horas e foi retransmitido por emissoras de TV indianas, é possível observar o político cercado por seus simpatizantes, gritando e mantendo uma discussão áspera com os agentes.

A polícia de Latur abriu um caso contra Gaikwad sob o artigo 143 do Código Penal, que prevê penas de até seis meses de prisão e multa para os delitos de reunião "ilegal".

De acordo com a versão policial, o deputado das sapatadas prometeu aos agentes que também iria protestar e bloquear estradas em outros lugares.

Gaikwad virou notícia no dia 23 de março, quando desferiu 25 sapatadas em um funcionário da Air India, após negar-se a descer de um avião da companhia no qual havia chegado a Délhi.

A negativa foi porque ele se irritou por não ter tido permissão para viajar na classe executiva, uma categoria que a aeronave não tinha, e provocou um atraso de 40 minutos em outro voo, o que levou a Air India e a outras companhias aéreas a inclui-lo em uma lista negra de passageiros.

Além disso, a Air India apresentou uma denúncia contra ele em uma delegacia em Délhi.

Depois de várias tentativas fracassadas de voar, um pedido relutante de desculpas e a intervenção do Ministério da Aviação acabaram resultando na suspensão do veto ao deputado, mas hoje mesmo a Air India perguntou à polícia da capital indiana por que as autoridades não tomaram nenhuma medida após sua denúncia. EFE