Novos confrontos em Jerusalém após pedido de calma de Netanyahu

Delphine MATTHIEUSSENT
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Os palestinos e as forças de segurança se enfrentaram novamente neste sábado (24) à noite nos arredores da Cidade Velha de Jerusalém, apesar do pedido por calma do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Os confrontos foram menos intensos que nos dias anteriores, constatou um jornalista da AFP.

Seis palestinos ficaram feridos, de acordo com o Crescente Vermelho palestino. Cinco deles receberam primeiros socorros no local.

Em Jerusalém Oriental, um setor palestino ocupado e anexado por Israel, centenas de policiais foram enviados no sábado à noite à imediações da Cidade Velha para evitar mais violência, após dias de confrontos entre judeus de extrema direita, palestinos e forças de segurança.

No Portão de Damasco, um dos principais meios de acesso à Esplanada das Mesquitas, localizada na Cidade Velha, aconteceram alguns confrontos leves após a última oração do dia, em pleno Ramadã, constatou o jornalista da AFP.

Alguns palestinos lançaram garrafas de água na polícia, que respondeu com bombas de efeito moral.

Alguns jovens palestinos colocaram fogo em lixeiras nas ruas adjacentes ao Portão de Damasco.

Uma centena de palestino lançou pedras e coquetéis molotov contra a passagem de fronteira de Qalandiya, entre Jerusalém e a Cisjordânia ocupada, informou a polícia.

"Acima de tudo, queremos manter a lei e a ordem pública. Agora, exigimos que a lei seja respeitada e peço a todas as partes que se acalmem", declarou Netanyahu horas antes em um comunicado, após uma reunião de emergência com autoridades de segurança israelense.

Netanyahu também declarou que o exército israelense está "preparado para qualquer cenário" na Faixa de Gaza, depois que cerca de 30 foguetes foram disparados do enclave palestino para o território do sul de Israel na noite de sexta-feira. Em retaliação, tanques, caças e helicópteros militares atacaram as posições do Hamas, segundo o exército.

O braço armado do Hamas, o movimento islâmico palestino que governa Gaza, deu seu apoio aos palestinos em Jerusalém Oriental e ameaçou Israel.

Mais três foguetes foram disparados da Faixa de Gaza na noite de sábado: um foi interceptado pelo escudo antimísseis israelense, um explodiu em um terreno baldio e o outro caiu na Faixa de Gaza, de acordo com o exército.

As tensões vêm aumentando em função dos incidentes nos últimos dias entre judeus e palestinos em Jerusalém Oriental.

Os confrontos mais violentos aconteceram na quinta-feira à noite, quando alguns palestinos quiseram tirar satisfação contra uma manifestação de partidários de um movimento judeu de extrema direita que gritava "Morte aos árabes". As forças israelenses, mobilizadas para esta manifestação, bloquearam o avanço dos palestinos. Em centena de palestinos e cerca de vinte policiais ficaram feridos.

- "Linha vermelha" -

"Queremos manter a liberdade de culto como todos os anos para todos os habitantes e turistas de Jerusalém", disse Netanyahu em referência à oração na Esplanada das Mesquitas, o lugar sagrado do Islã, no meio do mês do Ramadã.

Confrontado com a tensão crescente com o enclave palestino, o chefe do Estado-Maior israelense, Aviv Kochavi, decidiu adiar uma visita aos Estados Unidos que já estava planejada.

Os confrontos nos últimos dias em Jerusalém começaram depois que a polícia impediu que a população se sentasse nos degraus ao redor do Portão de Damasco, onde os palestinos costumam se reunir durante o período do Ramadã.

E como os judeus de extrema direita planejaram se manifestar perto deste grande portão que leva à Cidade Velha, muitos palestinos viram isso como uma provocação e uma tentativa de assumir o controle deste lugar simbólico.

“O problema é que é mês de Ramadã e a polícia fechou as portas de acesso à esplanada (...) e os judeus radicais nos provocaram nos últimos dias”, disse Mahmud Isa, de 30 anos, à AFP neste sábado.

Cerca de mil manifestantes, quase todos israelenses, se reuniram no centro de Jerusalém na noite de sábado para pedir uma coexistência pacífica e um retorno à calma.

O enviado especial da ONU para o Oriente Médio, Tor Wennesland, pediu neste sábado "que todas as partes exerçam o máximo de contenção e evitem uma nova escalada".

"Os atos provocativos em Jerusalém devem parar. O lançamento indiscriminado de foguetes em áreas povoadas viola a lei internacional e deve parar imediatamente", continuou em um comunicado.

Os Estados Unidos disseram estar "profundamente preocupados". E a Jordânia, que administra os lugares sagrados muçulmanos na Cidade Velha, condenou os "ataques racistas" israelenses neste sábado e advertiu que Jerusalém era "uma linha vermelha".

O Irã, inimigo de Israel, condenou "as agressões do regime sionista e dos colonos".

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