Netanyahu receberá mandato para formar governo em Israel no domingo

O ex-primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu, vencedor das eleições legislativas de 1º de novembro, receberá oficialmente no domingo (13) o mandato para formar um governo – anunciou a Presidência nesta sexta-feira (11).

"O presidente do país, Isaac Herzog, concluiu hoje (sexta-feira) suas reuniões com os representantes dos partidos eleitos" ao Parlamento, indicou a Presidência em uma nota.

A maioria dos deputados (64) recomendou ao presidente conceder a Netanyahu o mandato de formar governo. Outros 28 apoiaram seu rival, Yair Lapid, e 28 se abstiveram.

Netanyahu será convocado no domingo à Presidência "para que aceite a tarefa de formar um governo", acrescentou a nota.

O líder do partido de direita Likud tem 28 dias para formar seu gabinete, mas pode receber um prazo extra de 14 dias, se necessário.

Junto aos seus aliados ultraortodoxos e de extrema direita, o bloco conservador de Netanyahu se impôs nas eleições legislativas. Ele conquistou 64 cadeiras, entre as 120 do Parlamento, superando o primeiro-ministro em final de mandato, o centrista Yair Lapid (54 cadeiras).

Esta foi a quinta eleição em três anos e meio em Israel, um país muito dividido politicamente.

O gabinete que será formado por Netanyahu, que foi primeiro-ministro de 1996 a 1999, e de 2009 a 2021, pode ser o mais à direita da história do país.

Os aliados de Netanyahu aspiram a importantes pastas ministeriais, o que já causa preocupação.

Entre os ultraortodoxos, o chefe do partido sefardita Shass, Arieh Dery, apoiado por seus 11 assentos, gostaria da pasta das Finanças, ou do Interior, segundo a imprensa.

Dery foi considerado culpado de fraude em 2021 e já havia sido preso por corrupção.

A aliança do Sionismo Religioso, de extrema direita, quer o Ministério da Defesa para seu chefe, Betzalel Smotrich, enquanto o número dois, Itamar Ben Gvir, gostaria da Segurança Interior.

Segundo a imprensa israelense, o presidente Herzog, cujo papel é simbólico, teria tentado convencer o primeiro-ministro Yair Lapid e o ministro da Defesa, rivais de Netanyahu, a formar um governo de união com ele para evitar que figuras polêmicas entrem no Executivo, como Itamar Ben Gvir.

O presidente negou esta informação. Durante sua reunião com este líder de extrema direita na quinta-feira, disse, no entanto, que recebeu "questionamentos de cidadãos israelenses e de líderes mundiais (...) sobre questões delicadas de direitos humanos".

"Há uma certa imagem de você e de seu partido que parece, e estou lhe dizendo isso honestamente, preocupante de várias maneiras", disse Herzog ao deputado Ben Gvir.

Ontem, Ben Gvir participou de uma cerimônia em Jerusalém em homenagem ao rabino extremista Meir Kahane. Liderado por este último, o movimento Kach foi banido de Israel após o assassinato de 29 palestinos que oravam em Hebron, na Cisjordânia ocupada, em 1994, cometido por um de seus simpatizantes, Baruch Goldstein.

Washington considerou sua participação nesta cerimônia "repugnante".

Os Estados Unidos continuam "preocupados com o legado deixado por Kahane e o uso persistente da retórica de extrema direita", disse o porta-voz do Departamento de Estado americano, Ned Price, que pediu que "todas as partes exerçam moderação e se abstenham de ações que apenas exacerbam as tensões".

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