Netanyahu terá maioria frágil e pode voltar ao poder em Israel, indica boca de urna

TEL AVIV, ISRAEL (FOLHAPRESS) - O partido do ex-primeiro-ministro de Israel Binyamin Netanyahu saiu da eleição parlamentar desta terça (1º) como mais votado, segundo as pesquisas de boca de urna divulgadas pelos principais canais de TV locais. A aliança de seu partido deve alcançar 61 ou 62 cadeiras do Parlamento, de 120 assentos.

Esta foi a 5ª eleição desde março de 2019, coroando um impasse político profundo. Apesar do cansaço com o volume de pleitos, um número recorde de eleitores compareceu às urnas --o voto não é obrigatório no país. A cifra de 72% é a maior desde 1999, em um possível sinal de que a população almeja que essa seja a última rodada de votação no futuro próximo.

A se confirmar a maioria de 61 ou 62 assentos para seu bloco, o ex-premiê, então, terá chance de montar a próxima coalizão de governo, numa tentativa de retomar o posto que perdeu no pleito de março de 2021, quando uma coalizão de união nacional com oito partidos heterogêneos tomou as rédeas do país --a "geringonça" caiu após perder maioria e se curvar ao peso das divisões internas.

Não se pode subestimar a aptidão política de Netanyahu. Aos 73 anos, ele ocupou a cadeira de primeiro-ministro por 15 anos (12 consecutivos, de 2009 até 2021) e é considerado o político mais carismático e habilidoso que o país já teve.

Assim que os votos oficiais sejam contabilizados e entregues oficialmente para o presidente Isaac Herzog, é provável que ele conceda a Netanyahu o prazo de três semanas para costurar o próximo governo --o político ainda pode pedir mais uma semana, totalizando um mês de negociações.

Se falhar, Herzog poderia conceder o privilégio da costura ao segundo colocado, o atual premiê Yair Lapid, 58, líder do Yesh Atid (Há Futuro). Ele também teria um mês e, em caso de eventual fracasso, novas eleições serão convocadas. O Yesh Atid deve ter de 22 a 24 cadeiras, um número histórico para alguém que entrou na política há apenas dez anos e era visto como inexperiente.

Durante todo o dia, os principais candidatos tentaram chamar a atenção de possíveis eleitores por meio de telefonemas pré-gravados, mensagens de WhatsApp e SMS, posts em redes sociais ou divulgação de fotos e vídeos emocionantes. Lapid, por exemplo, visitou o túmulo de seu pai, o ex-ministro da Justiça Tommy Lapid, morto em 2008. Netanyahu levou cinegrafistas ao Muro das Lamentações, em Jerusalém, bem como o atual ministro da Defesa, Benny Gantz, da coligação Machané Mamlachtit (Campo Nacional).

A principal mensagem da blitz midiática foi o que os israelenses chamam de pedido de "Gewalt", uma expressão em iídiche que significa algo como um desesperado "Ai meu Deus!". A ideia é sensibilizar os eleitores para que votem em seus partidos.

Os líderes que mais utilizaram esse subterfúgio foram os dos partidos que perigam não conseguir ingressar no Knesset --são necessários ao menos 3,25% dos votos para isso. Entre eles estão os três da minoria árabe (Ra'am, Hadash-Ta'al e Balad), os tradicionais de esquerda (Meretz e Avodá) e o da ultradireita Bait Yehudi, ex-Yamina, da ministra do Interior, Ayeled Shaked.

A maior surpresa do pleito foi a coligação de ultradireita Otzmá Yehudit (Força Judaica), formada por Bezalel Smotrich e Itamar Ben-Gvir, parlamentares que defendem a expulsão de cidadãos árabes que não jurem lealdade a Israel e se opõem a direitos da comunidade LGBTQIA+. A boca de urna indica que a coligação deve ter 15 cadeiras do Parlamento, se tornando a terceira força política do país.

A explicação para seu sucesso é complexa, mas pode ser resumida na ideia de que eles oferecem soluções rápidas e duras no conflito com os palestinos com mensagens radicais que jovens e moradores da periferia --mas não só eles-- apreciam.

Caso Netanyahu consiga formar um governo, já prometeu que Smotrich e Ben-Gvir serão ministros. Ambos almejam as pastas da Defesa e da Segurança Interna. A possibilidade causa ojeriza aos eleitores de centro e de esquerda do país e pode levar Israel ter o governo mais à direita de sua história.