Netflix em crise: queda nas ações mostra como conteúdo ainda é rei no entretenimento

Muito se fala nos últimos anos sobre a Guerra dos Streamings, uma batalha que reúne todos os grandes estúdios de Hollywood e uma novata: a Netflix. Na última semana, no relatório trimestral, pela primeira vez em 10 anos, a empresa registrou perda de assinantes e viu as ações despencaram na bolsa. Automaticamente, "o mercado" gritou a trouxe caos e pânico para qualquer discussão sobre a companhia. Mas o que de fato há de real neste barulho todo?

A Netflix cresce e investe em proporções gigantes há uma década e o faz bem, não por acaso é líder de mercado desde sempre e possui a melhor experiência no segmento. Todavia, ter mais de 11 mil funcionários ao redor do globo (eram menos de 3 mil em 2013) e ver a única fonte de receita cair neste período, é natural para qualquer gestão acender o sinal vermelho. Ou seja, há alguma lógica no temor do mercado, mas não somente pelos assinantes.

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Há de se lembrar que a Netflix ganhou quase 40 milhões de clientes durante a pandemia - um recorde absoluto e condizente com o contexto de digitalização forçada pela COVID-19. Era natural que a queda viesse, a própria empresa falou sobre em 2021.

O negócio real é que desde então, enquanto os concorrentes exploraram novos tipos de assinatura, seguem forçando lançamentos nos cinemas, reabrem parques e revendem merchandising, a Netflix segue pura e simplesmente focada em filmes e séries - o que faz o número de assinantes ser vital. E nunca houve tão pouco barulho sobre os produtos da Netflix. Pela qualidade? Talvez, mas principalmente pela força dos filmes e séries concorrentes.

A começar pelo cinema de volta, Homem-Aranha e Batman tomaram os holofotes. O Oscar foi surrupiado pela Apple e Warner com CODA e Duna (além de Will Smith), assim como o Emmy com Ted Lasso em Mare of Easttown. Os blockbusters da Netflix como Alerta Vermelho e O Projeto Adam são os mais vistos dentro da plataforma, mas não chegaram ao patamar de explosão de Round 6, o grande sucesso da empresa na pandemia. Ainda em 2022, a Disney terá mais séries da Marvel, de Star Wars; a HBO terá um novo Game of Thrones, além dos filmes de ambos no cinema. Stranger Things vai ser páreo para isso? É aí que reside o maior problema da Netflix.

Para uma empresa que deposita toda esperança no conteúdo que distribui, cada vez mais fica difícil ser o assunto da semana com tantos concorrentes - e naturalmente os produtos lançados estão sob um escrutínio maior do público. Mais do que nunca é sobre qualidade, pois quantidade já existe demais, não só dentro da plataforma. É claro que redução de custos e novos modelos de assinatura virão (além de mais fontes de receita) serão passos cruciais nessa nova fase; o ponto maior, porém, é que enquanto segue muito a frente em termos de tecnologia (ninguém chega perto da experiência Netflix), a disputa quando o assunto é conteúdo é bem mais acirrada, e a Netflix segue levando golpes fortes dos concorrentes e, consequentemente, do público.

*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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