New York Times vai transferir serviço digital de Hong Kong para Seul

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O New York Times irá transferir sua equipe de Hong Kong para Seul

O jornal "The New York Times" anunciou nesta quarta-feira (15) que vai transferir seu serviço digital de Hong Kong para Seul, após a draconiana lei de segurança nacional imposta por Pequim na cidade.

"A radical lei de segurança nacional em Hong Kong criou muita incerteza sobre as consequências das novas regras para nossa atividade jornalística", afirma a direção do jornal em mensagem enviada aos funcionários, segundo informação publicada no site do NYT.

"Acreditamos ser mais prudente fazer planos de contingência e começar a deslocar nossa equipe editorial na região", completou o texto.

Há décadas, o "New York Times" tem sua sede regional em Hong Kong, de onde cobre a atualidade na Ásia e, mais recentemente, contribui na criação de conteúdo digital do jornal.

O "New York Times" informou que pretende transferir sua equipe digital - quase um terço de seus funcionários em Hong Kong - para Seul no próximo ano.

Esta é a primeira saída importante anunciada por um meio de comunicação internacional desde a adoção, no mês passado, da lei de segurança nacional em Hong Kong.

O NYT indicou recentemente que teve dificuldades para obter vistos de trabalho para seus funcionários em Hong Kong, algo que afirma ser "comum na China, mas que raramente constitui um problema na ex-colônia britânica".

No início do ano, a China expulsou vários jornalistas que trabalhavam para meios de comunicação americanos - incluindo o Times -, em uma represália ao governo dos Estados Unidos.

Alguns profissionais expulsos do NYT foram deslocados para Seul.

Os jornalistas em Hong Kong que respeitam a lei "não têm nenhuma razão para preocupação", afirmou Hua Chunying, porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores.

"Estamos abertos e recebemos os meios de comunicação estrangeiros na China", completou em uma entrevista coletiva.

Hong Kong é um importante centro regional para os meios de comunicação internacionais há décadas por seu ambiente empresarial e pelas liberdades civis que Pequim se comprometeu a proteger até 2047, como parte do acordo de restituição estabelecido com o Reino Unido.

Além do "New York Times", outros órgãos de imprensa têm seus centros regionais em Hong Kong, como a AFP, CNN, "The Wall Street Journal", Bloomberg e "Financial Times".

Mas a nova lei de segurança de Pequim provoca muita preocupação na cidade. O texto tipifica como crime alguns discursos políticos e aumenta o controle do Partido Comunista.

Uma cláusula estimula as autoridades a "reforçar a gestão" das organizações de notícias estrangeiras.

O governo local de Hong Kong, leal a Pequim, mostra pouco entusiasmo por defender os meios de comunicação e, nos últimos anos, a cidade caiu nos rankings de liberdade de imprensa.

Os vistos para jornalistas estrangeiros começam a sofrer pressões políticas.

Em 2018, o jornalista do "Financial Times" Victor Mallet foi expulso depois de organizar um evento no Clube de Correspondentes Estrangeiros de Hong Kong (FCCHK) com um defensor da independência.

Quando a China expulsou jornalistas americanos no início do ano também anunciou que não permitiria sua entrada em Hong Kong, apesar de a cidade supostamente ter suas próprias políticas de imigração. Um dos jornalistas era residente permanente em Hong Kong.