Filha de Roberto Jefferson diz que Bolsonaro estaria ‘estancando crise’ ao chamar seu pai de bandido e mantém apoio ao presidente

A filha de Roberto Jefferson e ex-deputada federal, Cristiane Brasil (PTB), avalia que o presidente Jair Bolsonaro (PL) se “excedeu” ao chamar seu pai de bandido, mas que a reação é justificável por conta da crise que poderia gerar para sua campanha em meio à disputa pela presidência. Jefferson foi preso na noite de domingo pela Polícia Federal (PF), após atacar com tiros e granadas agentes que foram à sua casa em Levy Gasparian, interior do Rio de Janeiro, cumprir um mandado de prisão.

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— Seria muito emocional da minha parte dizer que ele errou porque se excedeu no “bandido”. Ele está estancando uma crise política que está sendo criada artificialmente para se aproveitarem deste episódio. Portanto, ele continua tendo meu apoio porque o verdadeiro bandido a ser combatido é o Lula — justificou Cristiane.

A ex-parlamentar não reprovou o comportamento do pai, repetindo a versão da defesa do político de que ele teria sido atacado primeiro pelos agentes da PF. Dois policiais federais ficaram feridos por estilhaços de granadas lançadas por Jefferson, o que causou sua prisão em flagrante sob a acusação de tentativa de homicídio.

— Meu pai não está errado. Ele tomou 8 tiros primeiro. Quando meu pai revidou os tiros, ele mirou o carro, a viatura. Ele é um exímio atirador e não teria errado o alvo se quisesse acertá-los — garantiu.

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O petebista irá passar por audiência de custódia nesta segunda-feira. O ex-parlamentar disparou pelo menos 20 tiros de fuzil e lançou duas granadas contra o carro dos policiais, segundo avaliação preliminar de policiais, baseada nas imagens de perfurações no carro.

Cristiane Brasil criticou a ação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia decretado novamente a prisão de Jefferson após a veiculação de novos vídeos com ataques ao processo eleitoral e a ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ela afirmou que Moraes transformou a PF em uma “guarda pretoriana” e numa “Gestapo” — em referência à polícia política do estado nazista da Alemanha.

— Toda essa ilegalidade, esse processo imoral que o “Xandão” insiste para manter meu pai preso, descarregou a raiva dele. O “Xandão” usa um expediente usado por canalhas para manterem suas vítimas presas por tempo indeterminado ao arrepio da lei — disparou a petebista.