Neymar mal, Casemiro bem: como estão os brasileiros nos clubes um mês após a Copa do Mundo

Há exatamente um mês, a Argentina de Lionel Messi brilhava contra a França e conquistava a Copa do Mundo, em Doha. Desde então, os principais astros das 32 seleções voltaram a atuar pelos seus clubes, a maior parte deles nas grandes ligas da Europa. A paralisação para o Mundial, contudo, não fez bem a alguns deles, muitos brasileiros, que vinham se destacando no Velho Continente, mas não estão conseguindo repetir o nível técnico pré-Catar.

Camisa 10 da seleção brasileira, Neymar é um deles e tem sido muito criticado pela imprensa francesa. Antes da Copa, a temporada do craque do PSG era impecável: em 20 jogos, o atacante havia balançado as redes 15 vezes e dado 11 assistências.

No entanto, desde a eliminação da seleção brasileira para a Croácia, nas quartas de final, o rendimento do atacante caiu drasticamente no Francês. No primeiro jogo pós-Copa, ele foi expulso após receber dois cartões amarelos em dois minutos — o segundo por simulação. Até aqui, só conseguiu um passe para gol.

Depois da derrota para o Rennes, no último domingo, quando Neymar teve uma atuação apagada e não conseguiu finalizar no gol adversário, um jornalista da RMC Sports tachou o craque como “o maior fracasso da história do futebol”.

— Ele zombou de todos os torcedores do PSG fazendo uma boa meia-temporada porque tinha uma Copa do Mundo para se preparar. Em termos de contratação, transferência, salário, é o maior fracasso da história do futebol — disse o jornalista Daniel Riolo.

Neymar não está sozinho na lista dos jogadores brasileiros que tiveram queda de rendimento após a Copa do Mundo. O goleiro Alisson, do Liverpool, tem sido um dos afetados pela má fase do time inglês, que não vence há três partidas. No empate contra o Wolverhampton, o goleiro falhou nos dois gols e foi duramente criticado pela imprensa. Da mesma forma, o volante Fabinho foi tachado como responsável pela lentidão do meio-campo dos Reds.

Goleada no Italiano

O trio que atua junto na Juventus — Bremer, Alex Sandro e Danilo — também não vem se destacando positivamente. Muito pelo contrário. Os defensores tiveram uma atuação desastrosa na goleada para o Napoli por 5 a 1, principalmente o zagueiro de 25 anos. Os três, que formavam a linha defensiva, ficaram marcados pelos erros, decisões equivocadas e impotência para deter o nigeriano Osimhen.

Ainda no miolo defensivo, o zagueiro Éder Militão, que atuou como lateral-direito no Catar, voltou ao Oriente Médio para disputar a Supercopa da Espanha pelo Real Madrid, realizada na Arábia Saudita, e acabou falhando em dois gols na final contra o Barcelona, no último fim de semana.

Por outro lado, o volante Casemiro, que foi um dos melhores jogadores do Brasil na Copa do Mundo, não deixou seu rendimento cair no Manchester United. Suas atuações, aliás, vêm melhorando a cada partida, dando mostras que o atleta de 30 anos está 100% adaptado ao futebol inglês. Quem fica empolgado com seu desempenho é o técnico holandês Erik ten Hag.

— Ele (Casemiro) é o cimento entre os tijolos, se assim posso dizer. Isso também significa defender e organizar. Ele conhece a posição, sabe se antecipar, apoiar companheiros no lugar certo, consegue recuperar bolas para a equipe, vence duelos, e com a posse de bola ele consegue acelerar e aumentar o ritmo da partida — disse o treinador na coletiva de imprensa antes do clássico contra o Manchester City. — Ele é de alto nível. Não existem muitos jogadores com essa qualidade no mundo, e ele é um desses.

Antony e Fred, companheiros de equipe de Casemiro, revezam entre o time titular e reserva, mas sempre quando entram em campo, costumam cumprir bem os seus papéis. O atacante já marcou dois gols, enquanto o volante balançou as redes uma vez. O trio brasileiro estará em campo hoje, contra o Crystal Palace, às 17h (de Brasília), fora de casa, pela Premier League.

Outros destaques também atuam no Campeonato Inglês. O meia Lucas Paquetá é titular absoluto, referência do West Ham e marcou seu primeiro gol pelos Hammers contra o Leeds, no início do mês. Enquanto isso, o atacante Gabriel Martinelli parece ser o grande destaque entre os brasileiros pós-Copa. Aos 21 anos, o jogador do Arsenal acumula gols, assistências e excelentes atuações na ponta esquerda do time que lidera a competição.

Regularidade

Alguns atletas mantiveram seus níveis de atuações que já tinham antes da Copa. Como o goleiro Éderson, do Manchester City, os zagueiros Marquinhos, do PSG, e Thiago Silva, do Chelsea, o meio-campista Bruno Guimarães, do Newcastle, e os atacantes Vinícius Júnior e Rodrygo, do Real Madrid.

Gabriel Jesus e Alex Telles se machucaram no Mundial e ainda não retornaram.

Outro que se contundiu no torneio conquistado pela Argentina foi o atacante Richarlison, que se valorizou no Mundial, principalmente após seus três gols marcados. Porém, o atacante voltou a entrar em campo apenas na última partida entre Tottenham e Arsenal e, sem ritmo, não conseguiu evitar o resultado negativo de sua equipe. Além disso, ficou marcado pelo mal-estar ao não cumprimentar Martinelli, seu companheiro de seleção.