Nicarágua descumpre obrigação de relatar casos e mortes por COVID-19, diz OPAS

Ciro Ugarte (D), diretor do Departamento de Emergências Sanitárias da Opas, e Carissa Etienne (I), diretora da Opas em coletiva de imprensa sobre a COVID-19 na sede da Opas em Washington, DC, em 6 de março de 2020.

A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) afirmou nesta terça-feira (19) que a Nicarágua violou sua obrigação de relatar casos e mortes pelo COVID-19 e lembrou que uma melhor resposta à pandemia exige conhecer a situação no país.

O Diretor de Emergências em Saúde da OPAS, Cairo Ugarte, disse que o governo de Daniel Ortega na Nicarágua não está cumprindo sua responsabilidade de relatar o impacto do novo coronavírus, conforme estipulado no Regulamento Sanitário Internacional (RSI) do qual o país é signatário.

Durante uma videoconferência com jornalistas, Ugarte disse que as autoridades nicaraguenses prometeram "há uma semana" respeitar os termos do RSI. Eles também disseram que permitiriam aos representantes da Opas visitar centros de saúde e fornecer-lhes "informações detalhadas sobre os casos falecidos, confirmados e suspeitos, incluindo detalhes de sexo, idade e localização".

"Até agora, nenhuma dessas ações se concretizou, apesar dos pedidos repetidos da OPAS", disse Ugarte.

O funcionário respondeu às perguntas às autoridades da Opas sobre uma carta enviada na quinta-feira passada à diretora da agência, Carissa Etienne, na qual deputados da Costa Rica pediram para realizar uma "avaliação externa" do COVID-19 na vizinha Nicarágua.

Na carta, 52 dos 57 deputados da Assembleia Legislativa unicameral da Costa Rica descreveram como "imprudente" o tratamento que o governo Ortega deu à pandemia, sem medidas de contenção e com convocações para grandes reuniões, e advertiu que poderia efeitos negativos nos países vizinhos.

Segundo o Ministério da Saúde da Nicarágua, que no momento das declarações de Ugarte registrava oito mortos e 25 casos confirmados do novo coronavírus, atualizou as cifras esta tarde, reportando um aumento abrupto de mortos e infectados.

A ministra da Saúde, Martha Reyes, disse que o país tem 254 casos de COVID-19, dez vezes mais que os reportados até agora, e 17 mortes.

O balanço do ministério contrasta com o das organizações civis, que apontam mais de mim contágios e centenas de falecidos, com hospitais colapsados por pacientes com problemas respiratórios, que oficialmente são atribuídos a doenças como uma "pneumonia atípica".

Segundo a ONG Observatório Cidadão, até 16 de maio a Nicarágua tinha 1.569 casos de COVID-19 e 366 falecidos.

Em 7 de abril, a OPAS, escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS), considerou "inadequados" a prevenção e o controle da COVID-19 na Nicarágua.