Nicarágua realiza eleições com vitória de Ortega garantida

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O presidente da Nicarágua Daniel Ortega e sua esposa e vice-presidente Rosario Murillo em 21 de março de 2019 em Manágua (AFP/Maynor Valenzuela)
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Guardadas por cerca de 30 mil soldados, as seções eleitorais abriram neste domingo (7) na Nicarágua para uma votação sem surpresa: o presidente Daniel Ortega tem a garantia de ser eleito pela quarta vez consecutiva, já que todos os seus rivais foram mandados para a prisão.

As assembleias de voto fecharão às 18h00 (21h00 no horário de Brasília) e os primeiros resultados oficiais deverão ser conhecidos por volta da meia-noite (4h00 de segunda-feira no horário de Brasília), de acordo com o Tribunal Eleitoral.

"Uma farsa": Estados Unidos e União Europeia não mediram palavras para condenar esta eleição à qual negam qualquer legitimidade.

Jornalistas de vários meios de comunicação internacionais, incluindo CNN e Washington Post, foram impedidos de entrar no território, e o governo recusou observadores independentes.

As autoridades, no entanto, credenciaram no sábado cerca de 200 "acompanhantes eleitorais" e jornalistas escolhidos a dedo, "militantes sandinistas" estrangeiros, segundo o Urnas Abiertas, um observatório independente.

O último jornal da oposição remanescente no país, o La Prensa, foi invadido em meados de agosto pela polícia e seu diretor preso.

Uma semana antes da votação, Meta, a empresa-mãe do Facebook, anunciou que havia desmantelado mil contas do Facebook e Instagram administradas por uma "fábrica de trolls" do governo da Nicarágua para manipular a opinião pública.

Com seus dirigentes detidos ou exilados, a oposição prepara manifestações na Costa Rica, Miami ou Madri com um único slogan aos eleitores: "Domingo, fiquem em casa".

Os nicaraguenses não têm dúvidas: os cinco candidatos inscritos para enfrentar o chefe de Estado são fantoches comprometidos com o poder.

Será, portanto, o índice de abstenção que dará uma ideia da real adesão dos nicaraguenses à chapa formada por Daniel Ortega e sua esposa Rosario Murillo, vice-presidente desde 2017.

Comparado a Frank e Claire Underwood, a dupla implacável da série "House of Cards", Daniel Ortega, que em breve completará 76 anos, e sua esposa, 70, formam um casal pronto a qualquer coisa para manter um poder absoluto.

De acordo com uma pesquisa do Cid-Gallup, se tivessem escolha, 65% dos 4,4 milhões de eleitores registrados votariam em um candidato da oposição, em comparação com 19% no presidente em exercício.

Por outro lado, para o instituto de pesquisas M&R, próximo ao governo, Daniel Ortega e os 90 candidatos ao Parlamento apresentados pela Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN, no poder) têm 70% das intenções de voto.

"Não é que seja ruim... é horrível: não podemos falar, senão te colocam na prisão. Por que votar? Só os sandinistas vão votar", denuncia José, 78.

Marina Aguirre, 36, vai votar: "Temos escolas e hospitais gratuitos. (Daniel Ortega) garante que todas as crianças tenham brinquedos todos os anos", diz.

Aura Lila, em Masaya, 35 km ao sul da capital, ficará em casa, em respeito ao filho mais novo, morto aos 15 anos nas barricadas na primavera de 2018.

- Caça aos opositores -

Três anos depois da repressão que deixou mais de 300 mortos entre os manifestantes que em 2018 exigiam a renúncia de Daniel Ortega, e seis meses antes das eleições, a caça aos opositores começou: 39 personalidades políticas, empresários, agricultores, estudantes e jornalistas foram presos desde junho. Entre eles, os sete candidatos em potencial que provavelmente representariam uma ameaça ao presidente em exercício.

Favorita da oposição nas pesquisas, Cristiana Chamorro, de 67 anos, filha da ex-presidente Violeta Chamorro (1990-1997), foi a primeira a ser presa, no dia 2 de junho, e colocada em prisão domiciliar.

Os opositores são acusados de atentar contra a soberania nacional, apoiar sanções internacionais contra a Nicarágua, "traição à pátria" ou "lavagem de dinheiro", segundo leis aprovadas no final de 2020 pelo Parlamento.

O medo domina no pequeno país centro-americano de 6,5 milhões de habitantes, o mais pobre da região e que desde os protestos de 2018 sofre com a inflação, o desemprego e a pandemia do coronavírus, cuja magnitude é negada pelo poder.

Desde os protestos de 2018, mais de 100 mil nicaraguenses tomaram o caminho do exílio, enquanto 150 opositores ainda estão atrás das grades, descritos por Daniel Ortega como "criminosos" e "golpistas" pagos por Washington.

Herói da revolução, o ex-guerrilheiro Daniel Ortega é hoje acusado por seus adversários de agir da mesma forma que o ditador Anastasio Somoza que ajudou a derrubar em 1979.

Para a analista nicaraguense Elvira Cuadra, exilada, o isolamento do país afetará os investimentos e financiamentos internacionais, com consequências sociais e crescente emigração.

Principalmente porque, além das novas sanções adotadas pelos Estados Unidos e pela União Europeia, as relações até mesmo com aliados históricos como México e Argentina se tornaram tensas.

Cuba, Venezuela e Rússia continuam apoiando o governo de Ortega e Murillo.

bur-dro/ia/mr

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