Nicarágua registra forte aumento de contágios e mortos pela COVID-19

(Arquivo) Pronunciamento do presidente, Daniel Ortega, exibido em telão

A Nicarágua registrou nesta terça-feira (19) um aumento acentuado de casos da COVID-19, com 254 casos, 10 vezes mais do que os relatados há uma semana, e 17 mortes, informou o Ministério da Saúde.

A ministra da Saúde, Martha Reyes, divulgou os novos números em seu relatório semanal sobre o coronavírus, mostrando um grande aumento em relação à semana anterior, quando 25 casos e oito mortes tinham sido anunciadas oficialmente.

A Nicarágua divulgou os novos dados no mesmo dia em que a Organização Pan-Americana da Saúde criticou o país por não reportar o número de casos e mortes pelo novo coronavírus.

Os números do ministério contrastam com os das organizações civis, que registram mais de mil infecções e centenas de mortos, com hospitais lotados de pacientes com doenças respiratórias, oficialmente diagnosticados com "pneumonia atípica".

A ONG Citizen Observatory informou que até o último 16 de maio houve 1.569 casos positivos da COVID-19, além de 366 mortes, diferentemente dos números oficiais.

Parentes e organizações relataram a prática dos "enterros rápidos", nos quais as vítimas de doenças respiratórias são enterradas em caixas seladas, sem velório ou funeral, como forma de evitar infecções.

Segundo o ministro, 199 pessoas se recuperaram da COVID-19 e foram tratadas com "acompanhamento médico e atendimento do 470".

Especialistas temem uma rápida disseminação do vírus na Nicarágua sem que as autoridades consigam contê-lo, com medidas de contenção, como já foi feito em quase todo o mundo.

O governo de Daniel Ortega promoveu aglomerações e manifestações.

A ministra Reyes, sem fazer menção aos relatos das mortes por COVID-19, reconheceu que ocorreram inúmeras mortes ocasionadas por outras doenças, embora não tenha detalhado.

"Outras mortes ocorreram em pessoas que tiveram tromboembolismo pulmonar, diabetes mellitus, infarto agudo do miocárdio, crise hipertensiva e pneumonia bacteriana", informou o Ministério da Saúde em comunicado.