Diretor do FBI defende investigação sobre Hillary Clinton durante campanha

Washington, 3 mai (EFE).- O diretor da polícia federal investigativa dos Estados Unidos (FBI, sigla em inglês), James Comey, defendeu nesta quarta-feira sua investigação sobre a ex-candidata presidencial democrata Hillary Clinton, em plena campanha de 2016, e assegurou que "tomaria a mesma decisão" se voltasse a estar nessa situação, apesar de seu impacto nas eleições.

"Isto foi terrível, me faz sentir náuseas pensar que tivemos algum impacto nas eleições. Mas eu tomaria a mesma decisão", disse Comey em um comparecimento no Comitê Judicial do Senado.

O diretor do FBI defendeu a decisão que tomou em 28 de outubro do ano passado, a 11 dias das eleições presidenciais nos EUA, para notificar o Congresso de uma nova investigação relacionada com o uso que Hillary fez de servidores de e-mail privados para comunicações oficiais quando era secretária de Estado.

"Ter ocultado (a nova investigação), no meu ponto de vista, teria sido catastrófico", frisou Comey.

Antes de enviar a notificação ao Congresso, o próprio Comey tinha anunciado em julho em uma entrevista coletiva que o FBI não apresentaria acusações criminais contra Hillary e seus colaboradores porque eles não tiveram a intenção de infringir a lei, embora tenham agido de maneira negligente.

Em um comparecimento ontem na conferência "Women for Women" (Mulheres para Mulheres) realizada em Nova York, Hillary culpou Comey por seu fracasso eleitoral e disse que está convencida de que teria chegado à Casa Branca se o diretor do FBI não tivesse enviado essa notificação aos legisladores.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a democrata na noite de terça-feira no Twitter e indicou que o diretor do FBI era "o melhor que tinha acontecido a Hillary Clinton, pois ele lhe deu um passe livre para muitas más ações".

Esta é a primeira vez que o chefe do FBI defende em público as decisões que tomou sobre a investigação relativa a Hillary Clinton.

Por outro lado, Comey aproveitou seu comparecimento no comitê do Senado para agradecer às autoridades da Espanha sua colaboração na detenção em Barcelona do programador russo Piotr Levashov, procurado pelos EUA por seu suposto envolvimento na interferência russa nas eleições de novembro. EFE