Nikolai Lugansky vence ruptura no tendão e apresenta Chopin no Rio

Um dos mais premiados pianistas da atualidade, o russo Nikolai Lugansky, de 50 anos, tem uma longa história de apresentações no Brasil — esta quinta-feira, ele volta ao Rio para tocar com a Orchestre Philharmonique Royal de Liége, sob regência do húngaro Gergely Madaras, dentro da série O GLOBO/Dellarte Concertos Internacionais. É uma ocasião que, para o músico, traz de volta a recordação de Nelson Freire, gigante mundial do piano clássico, morto ano passado.

— Foi uma das maiores perdas da música nos últimos anos, uma tragédia — definiu Lugansky, por telefone, de São Paulo, na segunda-feira. — Nelson era um dos grandes pianistas que consegui ver tocar ao longo da minha vida. Lembro dos seus concertos de Brahms e Bach e dos duetos de piano com Martha Argerich. Ele era um grande ser humano, tivemos a oportunidade de conversar algumas vezes. Nelson era caloroso e modesto, e punha toda sua humanidade na música. Nos encontramos pela última vez em agosto de 2019, meses antes de ele sofrer o acidente [em novembro daquele ano, Nelson caiu e fraturou o braço após tropeçar num danificado trecho do calçadão de pedras portuguesas da praia da Barra]. Ele foi tão gentil de ir ao meu concerto, não imaginava que tudo aquilo pudesse acontecer.

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No programa de quinta no Municipal, estão a “Sinfonia nº 2”, de Brahms; o “Adagio para orquestra de cordas, V. 13, Les fleurs du souvenir”, de Guillaume Lekeu; e um favorito do russo, o “Concerto para piano nº 2”, de Chopin.

— Esse é provavelmente o mais popular concerto de piano de todos. Chopin era um jovem cheio de sentimentos e paixões, que não tinha muita experiência com orquestras, mas já era um gênio e um fantástico compositor de peças para piano. Cada nota que ele escreveu para o instrumento é genial. Estou muito feliz de tocar Chopin no Brasil — diz Lugansky, que só se apresentou com a Orchestre Philharmonique Royal de Liége em janeiro e na última terça-feira — É uma orquestra muito jovem, com músicos de diferentes nacionalidades, todos com uma grande vontade de tocar. Estou muito curioso sobre como vai ser esse Chopin, eles estão em forma.

Tocar o concerto para piano de Chopin é um momento de alívio para o pianista russo, que em novembro voltou a tocar depois de um acidente em que rompeu o tendão de um dos dedos.

— Não foi fácil, passei por um processo doloroso durante um mês e meio, tive que fazer exercícios e massagens. Nem acreditei que tinha rompido um tendão, porque tudo ficou bem depois — garante ele, que ainda presenciou o boicote internacional a artistas russos por causa da invasão da Ucrânia, iniciada em fevereiro. — Fico muito triste com toda essa situação da guerra. Agora conseguimos ver como era pacífico o mundo que tínhamos antes, especialmente na Europa.

Única formação sinfônica profissional da Bélgica francófona, a Orchestre Philharmonique Royal de Liège foi fundada em 1960 com a missão de atrair jovens por intermédio de concertos temáticos e principalmente, desde 2015, da formação de orquestras de quarteirões. Desde 2019, ela é dirigida por Gergely Madras, ex-regente principal da Orquestra Sinfônica de Savaria (Hungria) e ex-diretor musical da Orchestre Dijon Bourgogne. Desde que Madras assumiu a direção, a orquestra de Liège fez uma turnê pelo Japão e se apresentou no prestigiado Festival Enescu, de Bucareste.

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