Nilópolis (RJ) vacina novamente 187 pessoas que haviam recebido doses vencidas contra Covid

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***FOTO DE ARQUIVO*** Nilópolis (RJ) vacina novamente 187 pessoas que haviam recebido doses vencidas contra Covid. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)
***FOTO DE ARQUIVO*** Nilópolis (RJ) vacina novamente 187 pessoas que haviam recebido doses vencidas contra Covid. (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A cidade de Nilópolis, na Baixada Fluminense, revacinou até o fim desta quarta-feira (7) 187 pessoas que haviam recebido doses vencidas da AstraZeneca.

A secretaria municipal de Saúde do município informou que está investigando 727 casos suspeitos após reportagem do jornal Folha de S.Paulo mostrar que registros do Ministério da Saúde indicavam que 26 mil doses haviam sido utilizadas no país depois do vencimento. O uso de imunizantes fora da data de validade compromete sua proteção contra o coronavírus.

Desde sexta-feira (2), funcionários da administração municipal estão ligando para pessoas que podem ter tomado doses vencidas, para conferir o cartão de vacinação. Segundo o município, 400 contatos já foram realizados, e em boa parte deles não havia irregularidades.

Segundo a assessoria de imprensa do município, qualquer pessoa que identificar que tomou uma dose vencida pode procurar o posto para ser vacinada novamente. Basta levar o cartão de vacinação, que será conferido com o número do lote da AstraZeneca que está com a data de validade vencida.

A Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul também localizou em seu sistema 877 registros de vacinas da AstraZeneca contra a Covid-19 aplicadas após a data de validade. O relatório com as informações foi encaminhado às prefeituras do estado na segunda-feira (5) para que as pessoas que receberam essas doses sejam encontradas.

De acordo com a pasta, os lotes 4120Z005, 4120Z026 e CTMAV520 da AstraZeneca foram distribuídos com pelo menos dois meses de validade, e os 877 registros representam 0,27% das vacinas aplicadas no estado.

No Acre, a prefeitura de Xapuri colocou sob monitoramento 51 moradores da cidade que receberam doses vencidas da vacina AstraZeneca contra a Covid-19, também após a reportagem.

Antes da publicação da reportagem da Folha de S.Paulo, ao menos quatro cidades já haviam identificado a irregularidades e tomado providências. A prefeitura de Jaboticabal, no interior de São Paulo, identificou, no fim de abril, a aplicação de nove doses da vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca após o prazo de validade.

O lote, com vencimento em 30 de março, foi entregue à cidade em 26 de fevereiro, mas as aplicações só foram feitas em 20 de abril. As doses vencidas foram aplicadas em pessoas com idade entre 60 e 65 anos.

Em Águas de Lindóia (SP), a prefeitura informou que 22 pessoas receberam vacina da AstraZeneca em 30 de março, um dia após o prazo de validade.

A Prefeitura de Dracena, no interior de São Paulo, informou que 80 pessoas foram vacinadas nos dias 14 e 15 de abril com doses fora do prazo de validade. À época, as pessoas foram revacinadas com o mesmo imunizante.

No interior da Paraíba, a cidade de Alagoa Grande também admitiu ter aplicado 72 doses da vacina AstraZeneca fora do prazo de validade. O caso ocorreu em maio e a revacinação começou há uma semana, após orientação do Ministério da Saúde.

Outras prefeituras, no entanto, negaram ter aplicado doses vencidas contra a Covid-19 e disseram que se trata de erro de registro no sistema. É o caso de Maringá, a campeã no uso de vacinas vencidas, segundo os registros oficiais. O secretário de Saúde da cidade, Marcelo Puzzi, afirmou que houve um erro no lançamento do Sistema Conect SUS, que estaria diferente do dia da aplicação das doses.

Integrantes do Observatório Covid-19 BR publicaram um artigo na Folha de S.Paulo defendendo que a reportagem que apontou as irregularidades "induz a equívocos" porque parte de uma base de dados que possui inconsistências há muito tempo sabidas.

"Não há elementos sólidos para afirmar que brasileiros tomaram vacina vencida contra Covid. Assim como a equipe de reportagem, membros do Observatório Covid-19 BR verificaram essas informações, fazendo uma amostragem na base de dados. Na amostra analisada, o que foi encontrado sugere fortemente que se trata de erros de digitação nas bases de dados ou erros a partir da alimentação dos dados no sistema nacional (SI-PNI) a partir de sistemas próprios dos estados e municípios", diz o texto.

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