“Ninguém está passando fome no mercado”, diz Gleisi sobre reação à PEC da Transição

Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, defendeu articulações do governo eleito para viabilizar a chamada Pec da Transição - Foto: REUTERS/Paulo Whitaker
Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, defendeu articulações do governo eleito para viabilizar a chamada Pec da Transição - Foto: REUTERS/Paulo Whitaker
  • Gleisi Hoffmann critica reação do mercado após apresentação da PEC da Transição;

  • Presidente do PT chamou a postura de "vergonhosa";

  • Ela ainda rebateu críticas de membros do Centrão que afirmam não terem sido consultados.

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, criticou o comportamento que o mercado teve após a apresentação da PEC da Transição, nesta quarta-feira (16), pela equipe de Lula (PT). A proposta fez com que o dólar abrisse em forte alta hoje (17).

À coluna de Andreia Sadi, do g1, Gleisi chamou a postura de “vergonhosa” e destacou que “ninguém está passando fome no mercado”. O texto da PEC propõe, entre outras coisas, que o Auxílio Brasil – que voltará a ser chamado de Bolsa Família – e outros gastos sociais fiquem permanentemente de fora do teto de gastos, que limita as despesas do governo federal.

Com a PEC, o futuro governo de Lula irá conseguir abrir espaço no Orçamento 2023 para viabilizar os benefícios prometidos durante a campanha eleitoral.

"Esse pessoal não vai mudar o que fizemos na campanha. Não vamos fazer estelionato eleitoral. Para de mimimi", disse Gleisi. "Esse mercado é uma vergonha, ninguém está passando fome no mercado".

A deputada federal ainda aponta que o presidente Jair Bolsonaro (PL) “prometeu coisa que nem podia fazer” do ponto de vista dos gastos públicos e que o mercado não reagiu, em momento nenhum, de forma tão negativa.

“Já sabiam que ia acontecer. Nós e Bolsonaro dissemos na campanha. Bolsonaro prometeu coisa que nem podia fazer. Óbvio que [o Bolsa Família] é extratexto, vamos parar com essa palhaçada. Se quer fazer sua agenda, bota nome na praça e vai buscar voto. Eles [o mercado financeiro] estão especulando. Quer dizer que aumentar despesa com juros não tem problema, mas pelo lado do Bolsa Família tem problema? Eles que vão buscar voto, por que não se manifestaram durante a campanha? Não estamos na década de 90 que mercado é todo poderoso. Vergonhoso”.

Conforme apurado pelo blog de Sadi, parlamentares do PP e MDB têm comentado que só aprovarão a PEC se tiver um ano de validade, em vez de ser uma medida permanente, como foi proposto. Gleisi, no entanto, espera contar com Arthur Lira (PP), presidente da Câmara, ao longo dos próximos quatro anos.

“Porque se for por um ano não precisa da Câmara. A gente faz tudo pelo Judiciário. Mas Lira disse que ia fazer de tudo – pela política – para ajudar”.

Reação do Centrão

Não foi apenas o mercado financeiro que reagiu mal à PEC. Ao blog, parlamentares do Centrão e economistas e integrantes da equipe de transição de governo de Lula reclamaram que não foram consultados para montar o texto.

“Frente Ampla está parecendo escola de samba: foi só o abre-alas. Todas as alas seguintes foram todas do PT. É isso que a PEC da transição está mostrando”, disse um parlamentar.

O termo Frente Ampla foi usado pela equipe de Lula para demonstrar que há diversidade de posições e partidos no grupo de transição.

Gleisi também nega a situação e afirma que senadores do MDB e do PSD, por exemplo, foram consultados. Ela ainda ressalta que o relator do Orçamento de 2023 é do MDB.