Na CPI, ex-presidente da Anvisa comenta postura negacionista de Nise Yamaguchi: "Fiquei muito espantado"

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Ex-presidente da Anvisa fala à CPI da Covid no Senado nesta sexta-feira (11) - Foto: Reprodução/TV Senado
Ex-presidente da Anvisa fala à CPI da Covid no Senado nesta sexta-feira (11) - Foto: Reprodução/TV Senado
  • Médico sanitarista comentou postura negacionistas de outros profissionais que estariam atuando em 'gabinete paralelo'

  • Ex-presidente da Anvisa lamentou falta de coordenação federal durante a pandemia no país

  • Segundo médico, governo Bolsonaro apostou erroneamente em tese de imunidade de rebanho contra a Covid-19

O médico sanitarista Cláudio Maierovitch, ex-presidente da Anvisa e hoje na Fiocruz, depõe nessa sexta-feira (11) na CPI da Covid-19 no Senado. Questionado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da comissão, sobre a reputação científica de alguns dos que são apontados como membros do suposto "gabinete paralelo" da Saúde.

Especificamente sobre Nise Yamaguchi, médica bolsonarista e defensora da cloroquina no combate à Covid-19, o ex-presidente da Anvisa se disse espantado com a postura de Yamaguchi, com quem estudou medicina na Universidade de São Paulo (USP).

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"Fiquei muito espantado sabendo da formação dela, da experiência anterior, que ela tivesse assumido posições que contrariam o conhecimento científico", afirmou o médio sobre Yamaguchi.

A médica, próxima ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), chamou atenção em seu depoimento à CPI. Em sua fala, ela fez uma defesa veemente de medicamentos sem eficácia no combate à Covid e irritou senadores integrantes da comissão.

Maierovitch critica Bolsonaro por 'imunidade de rebanho'

Foto: REUTERS/Adriano Machado
Foto: REUTERS/Adriano Machado

Em sua fala inicial, o especialista criticou a postura do governo de Jair Bolsonaro de, segundo ele, ter adotado uma estratégia de "imunidade de rebanho" para conter a pandemia no país.

O sanitarista listou virtudes que o país possuía para combater a crise sanitária e exaltou o SUS e outros fatores para responder à emergência de saúde pública, atingindo toda a população. No entanto, segundo Maierovitch, a gestão Bolsonaro optou deliberadamente por apostar numa propagação do vírus, com a esperança de atingir uma "imunidade de rebanho".

"Esse era um plano que parou em março de 2020 em alguns lugares do mundo(...) Morreriam provavelmente os mais frágeis, desonerando a previdência, desonerando os serviços de Saúde e, do ponto de vista econométrico, poderia ser até um acontecimento positivo. Assinalo que não gosto do termo 'rebanho', não existe nenhum coletivo de 'pessoas' que pode ser traduzido como 'rebanho'. Esse termo se refere a animais e acredito que a população brasileira tem sido tratada dessa forma", afirmou o ex-presidente da Anvisa.

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