Nissan planeja separação com a Renaut, diz Financial Times

Os executivos da montadora japonesa Nissan estudam a possibilidade de se separar da Renault, paralelamente à repercussão da fuga do Japão de Carlos Ghosn, segundo mostrou neste domingo o Financial Times. Os planos incluem uma divisão das áreas de engenharia e manufatura, além de mudanças no conselho da Nissan, de acordo com a reportagem.

A aliança entre as empresas do setor automobilístico existe há mais de 20 anos e já foi liderada por Ghosn antes de sua prisão, acusado de cometer crimes financeiros. Segundo o FT, apesar dos esforços da japonesa para melhorar as relações, a parceria com a Renault "se tornou tóxica já que muitos executivos da Nissan creem que a empresa francesa põe para baixo o grupo japonês".

A decisão de cisão, diz a reportagem, poderia levar as empresas a procurarem novos parceiros, em um contexto de queda de vendas; aumento de custos, com a transição para veículos elétricos; e mais competitividade, com Fiat Chrysler e PSA se fundindo e Volkswagen e Ford formando sua própria aliança.

As discussões sobre uma possível separação ocorrem em um momento sensível para a Renault e a Nissan, segundo fontes ouvidas pelo jornal inglês.

Nas próximas semanas, Jean-Dominique Senard, presidente do conselho de administração da Renault, deve apresentar vários projetos combinados para demonstrar que a aliança ainda pode funcionar. “Não podemos sobreviver se não agirmos rapidamente, agora, para compartilhar de verdade”, disse Senard ao Financial Times, em entrevista no mês passado.

A reportagem conta ainda que Makoto Uchida, o novo executivo-chefe, estava trabalhando em estreita colaboração com Senard para lançar os novos projetos. A nomeação de Uchida, no entanto, não conseguiu acalmar a desconfiança da Renault no interior da Nissan, segundo pessoas ouvidas pelo jornal.

De acordo com a reportagem, Nissan e Renault não quiseram comentar o assunto.