Niterói elege sua 1ª vereadora travesti; Benny Briolly recebeu ameaça durante campanha

Louise Queiroga
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O município de Niterói, na Região Metropolitana do Rio, elegeu neste domingo, dia 15, sua primeira vereadora travesti. Com 99,91% das seções apuradas, Benny Briolly (PSOL) aparece como a quinta candidata mais votada, somando 4.358 votos. Ela ocupará a partir do próximo ano uma cadeira na Câmara Muncipal por onde já passou a correlegionária Talíria Petrone, hoje deputada federal pelo estado do Rio e para quem a ativista trabalhava como assessora antes de entrar em campanha eleitoral.

Talíria usou seu perfil no Twitter para parabenizar Benny pela conquista:

"Muito muito muito feliz com a eleição da querida @BBriolly. Primeira mulher preta e trans a ocupar a Câmara de Niterói. Puro orgulho e puro amor! Benny é amor e raça!", comemorou.

No mês anterior a sua vitória nas urnas, Benny Briolly, de 28 anos, registrou ocorrência na 76ª DP (Niterói) por ter recebido ameaças de morte e ataques de ódio através das redes sociais. Uma mensagem deixada para ela no Facebook mencionava o acusado de assassinar a vereadora carioca Marielle Franco, que também era do PSOL:

"Ronnie Lessa já está de olhos em vocês. Cuidado com a metralhadora de excluir maconheiros", dizia o comentário.

As propostas de Benny Briolly para Niterói envolvem principalmente a defesa pelos direitos da comunidade LGBTQI+, das mulheres e da população negra. Ela se define como "uma mulher preta travesti favelada, feminista, ecossocialista, do movimento negro e LGBTI+, militante de direitos humanos e do PSOL".

Neste ano, a ativista participou de uma manifestação do movimento Vidas Negras Importam, que ganhou força em todo o mundo após a morte do norte-americano George Floyd por um policial que ajoelhou no pescoço dele por quase nove minutos. Outro protesto de grande repercussão do qual Benny partiipou ocorreu em razão da morte de Marielle em março de 2018.

De acordo com o site do Tribunal Superior Eleitoral (TST), 171 candidatos adotam nome social na eleição municipal de 2020. A decisão dos minitstros que permitiu tal direito foi tomada em 2018.

Quanto a dados mais específicos, um levantamento da Aliança Nacional LGBTI+ indica alguns números de pré-candidaturas a cargos de prefeito e vereador a partir do recebimento de 585 adesões no programa Voto com Orgulho, dividindo-se entre 15 para prefeituras e 569 para câmeras municipais.

Os perfis desses candidatos foram classificados da seguinte forma: 89,1% (569) como LGBTI+, e 10,8% (63) como pessoas aliadas a causa. E ainda: 46,8% (274) de gays, 12,6% (74) de lésbicas, 11,6% (69) de mulheres trans, 4,8% (28) de bissexuais masculinos, e o restante das demais identidades de gênero e orientações sexuais.

Foi observada maior presença em São Paulo, com 142 candidatos (24,3%), Rio de Janeiro, com 62 (10,6%), e Bahia, com 58 (9.2%). Já os municípios de Roraima e Piauí, com três candidatos (0,5%), Tocantins, com dois (0,3%), e Amapá, com um (0,2%), foram os que menos tiveram registros LGBTQI+.