Niterói perdeu 4,6 mil postos de trabalho em 2020

Giovanni Mourão
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NITERÓI — Niterói terminou 2020, ano em que a pandemia do novo coronavírus provocou a paralisação generalizada de atividades e serviços em todo o país, com menos 4.626 postos de trabalho com carteira assinada. O número resulta da diferença entre 37.426 contratações e 42.052 desligamentos, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Com a retomada das atividades econômicas, o mercado de trabalho niteroiense passou a dar sinais de recuperação: de agosto a dezembro, acumulou um saldo de 3.835 empregos, contratando mais do que demitindo no período. Mas os bons números não foram o suficiente para compensar as 8.461 demissões registradas nos sete primeiros meses do ano.

Em abril, quando as principais restrições de circulação foram implementadas, 3.644 pessoas perderam o emprego, uma média de 121 demissões por dia. Os meses de março e maio também registraram grande volume de demissões: 1.755 e 1.661, respectivamente.

Dos cinco ramos da economia avaliados pelo Caged — serviços, comércio, construção, indústria e agropecuária —, o setor de serviços foi o que mais perdeu empregos e o que mais demorou a se recuperar. Com um total de 3.458 demissões, só abriu mais vagas do que fechou em fevereiro, setembro, novembro e dezembro.

O comércio, afetado diretamente com as demissões em massa, terminou o ano com 1.469 trabalhadores a menos do que começou. Em seguida vêm a construção, com 200 empregos perdido; e a agropecuária, que, com fraca atividade no município, desligou 13. Na contramão dos indicadores ruins, a indústria foi responsável por admitir 514 novos funcionários, sendo o único setor da economia a fechar 2020 com o saldo positivo.

Panorama de incertezas

Segundo Rodolpho Tobler, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ibre), a atividade econômica da cidade deve permanecer muito fraca no início de 2021, e o setor de serviços tende a se recuperar em ritmo ainda mais lento do que os demais.

— Niterói fechou o ano com saldo negativo porque, assim como o Rio, depende muito dos serviços, que foram fortemente atingidos. As famílias substituíram o consumo de serviços pelo consumo de bens, o que explica os bons números da indústria. Com o fim dos auxílios do governo federal e a redução do poder de compra, o ano de 2021 é de incertezas: enquanto a economia não se recupera, não há como imaginar grande melhora no mercado de trabalho, pois o que temos visto é apenas o retorno de parte do que foi perdido na pandemia. Assim que a vacinação em massa se refletir na baixa dos casos de Covid, aí, sim, podemos imaginar o início de um cenário favorável— avalia o economista.

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