Niteroiense viabiliza concertos do Coro da Camerata Antiqua no Rio, para homenagear Roberto de Regina

Corriam os anos 1970 quando o maestro Roberto de Regina, um dos maiores precursores da difusão da música antiga no país, criou no Paraná o Coro da Camerata Antiqua de Curitiba, que, como o nome sugere, especializou-se no gênero. Foi na mesma época que o fundador do grupo passou a viver num sítio em Pedra de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio, onde nos últimos anos se dedica a cuidar das mais de 500 réplicas de meios de transporte e maquetes de castelos e catedrais expostas no Museu de Miniaturas (o nome oficial é Ronaldo J. Ribeiro, homenagem ao administrador do lugar) concebido por ele na propriedade e de um cravo que ele mesmo construiu — este em tamanho real.

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A distância Rio-Curitiba será percorrida por seus pupilos, que vão celebrar os 95 anos do maestro, completados em janeiro. Longe do estado desde 1996, quando esteve no palco do Municipal carioca, o coro volta ao Rio, onde se apresenta quinta-feira na Sala Cecília Meireles, na Lapa. Antes, na quarta-feira, às 19h, o conjunto homenageará seu fundador no Teatro da UFF, em Icaraí, com entrada a R$ 10 (valor único e somente em dinheiro).

Quem fez a ponte foi a niteroiense Kristina Augustin, que estará nos dois concertos, tocando viola de gamba. Ela lembra quando conheceu Roberto de Regina no 1º Encontro de Música Antiga, em 1983, na capital paranaense:

— Eu era menor de idade, era a minha primeira viagem longe dos meus pais, meu primeiro festival, tudo era novo para mim. Quando cheguei em Curitiba, fiquei maravilhada com os músicos, os grupos, os instrumentos. Mas quando assisti à palestra do Roberto... na verdade nem me lembro bem do que ele falou (risos), mas a energia dele, a vivacidade e o humor me contagiaram. Fiquei hipnotizada. Tímida, não tive coragem de me dirigir a ele. Foi ele quem me abordou perguntando o que eu estava achando do encontro. Nesse momento iniciamos uma conversa que dura até hoje.

Para ela, Roberto de Regina e música antiga são termos inseparáveis. Kristina explica por que o maestro e cravista se tornou um dos principais protagonistas do movimento da música antiga no Brasil.

— Seu trabalho e sua arte se impuseram no cenário musical do Brasil e trouxeram credibilidade ao movimento da música antiga no país. Ele é um homem de múltiplos talentos, inspirou a formação de novos conjuntos e influenciou de forma decisiva várias gerações de músicos que hoje atuam nos cenários nacional e europeu — afirma Kristina, que por quase 20 anos integrou o Conjunto de Música Antiga da UFF e durante 13 anos foi coordenadora dos cursos de extensão em Música do Centro de Estudo e Iniciação Musical (CEIM/UFF), idealizado por ela.

Atualmente, Kristina trabalha na Divisão de Música de Câmara da UFF, onde atua tanto como concertista como na concepção e produção de projetos musicais.

Uma fonte de inspiração

Coordenadora da Camerata Antiqua de Curitiba, Janete Andrade diz que Roberto de Regina foi uma pessoa que a inspirou muito a ser o que é hoje.

— Ele é o pai da música antiga no Brasil, mas os ensinamentos dele se estendem a diversas áreas da vida, não apenas às relacionadas à música. Por onde passa, um universo criativo e apaixonante inspira todos que se relacionam com ele. Foi assim com a Camerata Antiqua e todo o trabalho que realizou na cidade. Por isso essa homenagem é tão necessária. Significa uma turnê para um estado culturalmente importante. Mas, mais que isso, significa o Coro indo até o seu maestro e fundador — destaca.

As duas apresentações terão a regência de Mara Campos, que desde 2015 é também diretora musical do grupo curitibano. Ela conta que os concertos serão realizados com emoção e muita gratidão pelo legado de conhecimento, prática e inspiração deixado por Roberto de Regina.

O Coro da Camerata Antiqua de Curitiba terá como solistas Paulo Mestre (contratenor), Maico Sant’Anna e Sidney Gomes (tenores) e Cláudio de Biaggi e Marcelo Dias (baixos). Na parte instrumental estarão Ângela Sasse (flautas doces), Kristina Augustin (viola de gamba), Guilherme de Camargo (teorba, guitarra barroca) e Luís Fernando Diogo (percussão).

De olho no YouTube

Em entrevista ao GLOBO ano passado, o maestro, luthier e médico aposentado contou que começou a gostar de cravo quando ainda tinha calças curtas e disse que, apesar do nome, a música antiga se conecta muito com os jovens: “Ela não exige o nível de conhecimento do clássico, é mais acessível”.

Roberto de Regina revelou também que navega pelo YouTube assistindo a novos talentos do instrumento. “Eu não sei postar nada, tudo meu que está no YouTube foram outros que subiram. Mas adoro assistir, você se impressiona com a qualidade dos cravistas. Principalmente os da China e do Japão”.

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