Com reservatórios em baixa histórica, conta de luz vai pesar no bolso

·4 min de leitura
ONS espera que agosto se encerre com um nível de armazenamento para o Sudeste/Centro-Oeste pior que há 20 anos
ONS espera que agosto se encerre com um nível de armazenamento para o Sudeste/Centro-Oeste pior que há 20 anos
  • ONS já prevê que cenário se repita em agosto; dados são piores desde 2001, quando país passou por racionamento;

  • Quantidade de chuvas nas hidrelétricas de Sudeste e Centro-Oeste devem ficar 40% abaixo da média histórica;

  • Queda no nível dos reservatórios também pode provocar o encarecimento das tarifas de energia;

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou recentemente um relatório sinalizando que os reservatórios de hidrelétricas do Sudeste e do Centro-Oeste chegaram ao fim de julho com o armazenamento médio mais baixo de toda a série histórica. Os números para o mês são piores, inclusive, que julho de 2001, ano em que o país enfrentou um racionamento de energia, com nível médio dos reservatórios de 26,85%. O armazenamento médio nas duas regiões ao fim de julho deste ano era de 25,97%, segundo informações publicadas no jornal O Globo nesta segunda-feira (02/08).

Na nota técnica, o ONS apontou ainda que espera que agosto se encerre com um nível de armazenamento para o Sudeste/Centro-Oeste também piores que há 20 anos. O órgão calcula que as barragens dessas regiões devem terminar este mês com 21,4% da capacidade de armazenamento. Em 2001, o mês de agosto terminou com 23,45% de volume de água dos reservatórios. As regiões Sudeste e Centro-Oeste concentram mais da metade da capacidade de armazenamento do setor elétrico nacional e são represas que costumam ficar com níveis mais altos ao longo do ano.

Leia também:

Usadas para "regularizar" o sistema e garantir o fornecimento de energia mesmo nos momentos de seca, esses reservatórios também estão próximos dos principais centros de consumo e há limites de transmissão de energia entre o Norte e Nordeste para o Centro-Sul. Por isso, o nível da água do Sudeste/Centro-Oeste é o que mais preocupa o governo. Embora as hidrelétricas do Norte e do Nordeste tenham níveis melhores de armazenamento, nem tudo que é gerado pode ser transmitido para o restante do país.

O órgão prevê que a quantidade de chuvas nas hidrelétricas de Sudeste e Centro-Oeste fiquem cerca de 40% abaixo da média histórica. O governo nega risco de um novo racionamento. Entretanto, admite a gravidade da situação, já emitiu alerta de risco hídrico e anunciou medidas para evitar escassez de energia. Publicada no mês passado, uma medida provisória (MP) permite centralizar a gestão da crise no Ministério de Minas e Energia (MME) e também criar um comitê de crise.

Para agosto, o ONS prevê elevação de 4,6% no consumo do sistema nacional de energia, na comparação com o mesmo período de 2020. A alta é influenciada pela recuperação da economia mais forte do que a prevista no início do ano em função do avanço da vacinação no país.Os dados refletem a expectativa de que o consumo de energia do setor industrial se mantenha em patamares elevados e de que o de segmento de serviços se normalize nos próximos meses.

Conta de luz mais alta

Com a queda no nível dos reservatórios, o encarecimento das tarifas de energia no país é esperado porque, para garantir o suprimento de eletricidade, o governo aciona usinas termelétricas que, além de poluentes, são mais caras. A bandeira vermelha 2 (a mais alta do sistema), que cobra um valor de R$ 9,49 a cada 100 quilowatts-hora consumidos, deve operar pelo menos até novembro.

O Brasil promoveu a diversificação do sistema elétrico, ou seja, investiu em diferentes fontes de geração de energia, como a térmica, a eólica e a solar, depois de 20 anos, último racionamento. É essa diversificação, especialmente o parque de usinas termelétricas, que dá hoje mais segurança ao sistema e permite que o país atenda à demanda por energia. A interligação do sistema também deu segurança ao processo.

A fim de evitar um caos generalizado, o governo vem tomando uma série de medidas, como privilegiar o uso dos reservatórios para a geração de energia (e reduzir a vazão da água para outros fins).O Ministério de Minas e Energia também prepara a entrada de mais usinas térmicas no sistema, além de negociar com operadores a inauguração de usinas de geração de energia e também de linhas de transmissão de energia. Numa tentativa de atuar pelo lado da demanda, o governo negocia com a indústria a redução do consumo no horário de pico (entre 12h e 18h), em troca de desconto nas contas de luz.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos