No aguardado e ótimo '30', Adele apresenta manual de sobrevivência no jogo amoroso

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Um manual da sobrevivência no jogo amoroso, eis o que a cantora Adele oferece em “30” — o quarto álbum que a rainha inglesa (e mundial) da sofrência de 33 anos lança nessa sexta-feira (19).

Um dos discos mais aguardados do ano (da artista que vendeu mais de 120 milhões de cópias de seus três álbuns anteriores), “30” revela um bem-vindo amadurecimento, em faixas calcadas no soul negro americano que vai de Aretha Franklin e Roberta Flack a Erikah Badu e Alicia Keys — é disco com muito sentimento, sabor, sofisticação e elaborada canções.

Apresentado à imprensa na noite desta terça (16) numa audição na sede da Sony Music no Rio de Janeiro, o álbum de 12 faixas abre com “Stranger by nature”, balada jazzy de piano elétrico, cujos primeiros versos servem de introdução ao universo de Adele no disco: “Levarei flores ao cemitério do meu coração”.

Confessional, assim como os anteriores “19” (2008), “21” (2011) e “25” (2015), discos colados com as idades em que ela viveu cada uma das experiências, “30”, no entanto traz a leveza da mulher que passou por poucas e boas — depressão, álcool, divórcio — e voltou para contar.

Um piano bonito abre a já lançada em single “Easy on me”, que antecipou a voz menos carregada que emerge nesse disco. Esperançosa, Adele pede que se pegue leve com ela: “eu ainda era uma criança, não tive a chance de sentir o mundo em volta de mim.” Arranjada com simplicidade, a canção reluz só coma voz da inglesa.

De “My little love”, por sua vez, emerge uma Adele sensual, com cordas luxuriantes, que vai desembocar no reggae desencanado, bem Amy Winehouse, que é “Cry your heart out”. A cantora segue descontraída por “Can I get it”, faixa puxada por violão que faz imaginar um Ed Sheeran mais malandro.

O espírito de Carole King baixa em Adele definitivamente em “I drink wine”, um inventário de sua luta por autoestima embalado pelo mais delicioso piano soul. Um bom puxão de orelha nos homens inseguros é dada em “Woman like me”, que abre o caminho para a apoteose gospel representada pela trinca final: “Hold on”, To be loved” e “Love is a game”.

Arrepiante, por sinal, esta última eleva Adele ao patamar Amy de bom gosto no sofrimento, com um impecável arranjo jazzy, meio anos 1940, e uma performance vocal de alta voltagem — uma garantia de que esta sexta-feira vai ser de muita felicidade para os corações solitários e combalidos deste mundo.

"30". Adele. Cotação: ótimo

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