Biden visita locais dos três ataques no aniversário de 20 anos do 11 de setembro

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Por Jeff Mason

(Reuters) - O presidente norte-americano, Joe Biden, vai homenagear o 20º aniversário dos ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos neste sábado visitando cada um dos locais onde aviões sequestrados caíram em 2001, honrando as vítimas do devastador ataque.

Biden começou o dia em Nova York, onde, ao lado da esposa Jill Biden, participou de uma cerimônia no local onde estavam as torres gêmeas do World Trade Center antes de serem atingidas pelos aviões. Eles depois voaram para Shanksville, Pensilvânia, e a programação previa que retornariam à região de Washington e visitariam o Pentágono.

No local do World Trade Center, a banda da Polícia de Nova York tocou “Hard Times Come Again No More”, uma música folk dos EUA da década de 1850. Bruce Springsteen cantou “I’ll See You in My Dreams” no violão.

Os Bidens, os ex-presidentes Bill Clinton e Barack Obama e a multidão fizeram um momento de silêncio às 8h46 para marcar a hora em que o primeiro avião atingiu um dos edifícios.

Em um dia limpo e bonito de Nova York, similar ao de 20 anos atrás, familiares leram uma lista com o nome das pessoas que morreram nas torres.

Biden, com a cabeça abaixada, não deu declarações. Rudy Giuliani, prefeito de Nova York na época dos ataques, compareceu à cerimônia. O ex-presidente Donald Trump, natural de Nova York, não o fez.

Quase 3 mil pessoas morreram nos ataques em Nova York, no Pentágono e na Pensilvânia, onde passageiros do voo 93 da United enfrentaram os sequestradores e o avião caiu em um campo, evitando que outro alvo fosse atingido.

Em Shanksville, os Biden participaram da cerimônia no Memorial Nacional do Voo 93, onde os nomes dos mortos foram gravados em uma parede de mármore.

Também em Shanksville, em raros comentários públicos, o ex-presidente George W. Bush, que liderou o país na época dos ataques, alertou contra ameaças de terrorismo doméstico. Relembrando a unidade do povo norte-americano nos dias posteriores ao 9 de setembro, ele pediu o retorno daquele espírito em meio a uma divisão política cada vez maior no país.

A vice-presidente Kamala Harris afirmou que os passageiros e tripulantes que morreram em Shanksville focaram na humanidade em comum durante um momento de terror. “É minha esperança e minha reza que continuemos a honrar a coragem deles, a convicção deles, com a nossa; que honremos a unidade deles fortalecendo nossos laços em comum, fortalecendo nossas parcerias globais.”

Depois, Biden também visitará o Pentágono, o símbolo do poderio militar dos EUA que foi atingido por outro dos aviões que foram usados como mísseis naquele dia.

O aniversário ocorre logo após o fim da guerra liderada pelos EUA no Afeganistão, lançada há cerca de 20 anos para erradicar a Al Qaeda, que executou os ataques de 11 de setembro.

A decisão de Biden de retirar as tropas norte-americanas em agosto, meses após o prazo estabelecido por seu antecessor republicano, Donald Trump, e a rápida queda resultante do país nas mãos do Taliban geraram críticas de membros de ambos os partidos políticos.

Biden não deve fazer comentários em nenhum dos locais, mas lançou um vídeo na sexta-feira para expressar suas condolências aos entes queridos das vítimas e destacar a unidade nacional resultante, pelo menos inicialmente, após o 11 de setembro.

"É tão difícil. Quer seja no primeiro ano ou 20º, as crianças cresceram sem pais e os pais sofreram sem filhos", disse Biden.

O presidente destacou o heroísmo que se viu nos dias que se seguiram aos atentados. "Também vimos algo muito raro: um verdadeiro senso de unidade nacional", disse Biden.

O democrata Biden prometeu construir esse tipo de unidade depois de assumir o poder no fim de janeiro, mas o país continua profundamente dividido politicamente.

Os presidentes dos EUA costumam viajar para um dos três locais de ataque no aniversário de 11 de setembro, mas é incomum ir a todos os três no mesmo dia.

"O presidente sentiu que era importante visitar cada um desses três locais para comemorar as vidas perdidas, os sacrifícios feitos em um dia que afetou milhões de pessoas em todo o país, mas certamente muitas pessoas nessas comunidades", disse a porta-voz da Casa Branca Jen Psaki na sexta.

Mês passado, muitas famílias das vítimas do 11 de setembro pediram que Biden não comparecesse aos eventos de 20 anos a menos que ele divulgasse documentos secretos que, segundo elas, mostrarão que líderes da Arábia Saudita apoiaram os ataques. Semana passada, o presidente ordenou que o Departamento de Justiça revisasse os documentos da investigação do FBI aos ataques para serem liberados e divulgados.

(Com reportagem adicional de Timothy Gardner em Washington)

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