No ar em ‘Pantanal’, José Loreto diz viver relação amorosa sem rótulos: ‘Fase linda’

José Loreto vai completar 38 anos no próximo dia 27, no Pantanal. O ator, que diz viver agora um período de “maturidade artística e emocional”, embarca nesta semana para o Mato Grosso de Sul para gravar novas cenas da novela da Globo. Sucesso como o peão Tadeu, o segundo filho de José Leôncio (Marcos Palmeira) na história, ele correu para fazer uma imersão na região assim que soube que ia fazer o remake da obra de Benedito Ruy Barbosa. Nascido em Niterói (RJ), Loreto, que já viveu uma temporada em Los Angeles, nos Estados Unidos, sempre foi um cara urbano. Por essa razão, precisou se empenhar em dobro na construção do peão pantaneiro da trama das nove. “O mais difícil foi entrar nessa água gelada que é interpretar um peão. Quando entrei, relaxei”, conta.

A boa fase no trabalho reflete ainda o momento pessoal de Loreto. Durante a conversa com a Canal Extra, ele afirma que o melhor ainda está por vir: “Estou perto dos 40. É um número muito atraente, potente. Acho que agora minha vida vai começar de verdade”, diz o pai de Bella, de 4 anos. A menina é fruto da relação com Débora Nascimento, de quem o ator se separou em 2019. O casamento chegou ao fim em meio à especulação sobre um suposto envolvimento com Marina Ruy Barbosa, sua colega de elenco na novela “O sétimo guardião”. “Passei por um período em que fui alvo de muito ‘hate’. Estava me separando de uma mulher linda, com uma filha pequena, as pessoas me julgando. Foram fofocas dolorosas”, recorda ele, que atualmente vive uma relação amorosa sem rótulos: “Posso dizer que estou muito bem, feliz, vivendo uma fase muito linda”. Loreto não se refere aqui à ex-BBB Gabi Martins, com quem teve um affair que veio à tona depois desta entrevista. Na última quinta-feira, ele confirmou ao site Uol que ficou com a cantora, após ter negado anteriormente (“Sim, já fiquei com a Gabi há algum tempo, não lembro quando. Não queria expor. Mas já que ela falou que a gente ficou, não vou deixá-la de maluca, né? Não sou nenhum mentiroso. Ficamos uma vez e ponto”, disse ele). No bate-papo a seguir, o ator mostra como ter a vida pessoal exposta lhe trouxe aprendizados: “Tudo isso me deixou calejado, mais ligado ao mundo”.

Você vive num ambiente urbano. Como se preparou para interpretar um peão?

Este é o personagem que mais me exigiu uma construção. Ele vai muito além do meu universo, do meu mundo. Tadeu é um dos poucos personagens 100% pantaneiros da novela. É nascido e criado na região. Após ter sido aprovado para o elenco, arrumei um voo e fui para o Pantanal no dia seguinte. Colei nos peões reais. Eu não tinha ideia de como seria essa experiência. Aos poucos, já voltava de uma cavalgada incorporado, vendo jacaré no caminho... Eu me impregnei daquela realidade. Isso me ajudou até no sotaque.

Foi difícil incorporar o sotaque do Tadeu?

Quando comecei a ler o texto e falei com o sotaque, me desesperei. O mais difícil foi entrar nessa água gelada que é interpretar um peão. Quando entrei, relaxei. Ele bota e tira a sela de um cavalo com toda naturalidade, tem habilidades que eu não tinha. É um cara muito diferente de mim. As emoções do Tadeu são muito brutas.

Mesmo sendo um cara bom, Tadeu lida com sentimentos como rejeição, ciúme...

A chegada do Jove (Jesuita Barbosa) transformou o Tadeu. Ele se sente preterido e fica com ciúme. O Zé Leôncio é o herói e o vilão dele. O pai é o maior exemplo de justiça, de dignidade. Mas, ao mesmo tempo, nunca olhou para ele com o mesmo afeto que olhou para o Jove. Até o Marquinhos (Palmeira) me pede desculpa depois que gravamos algumas cenas. E logo agora, quando ele acha que está tudo bem, que o pai o assumiu como filho para todos, vai chegar outro irmão, o Zé Lucas (Irandhir Santos). Ainda tem a relação com a Guta (Julia Dalavia), que é uma mulher moderna, da cidade. Tadeu quer ficar com ela, mas não encontra apoio na mãe nem no pai. A gente brinca lá no elenco que o Tadeu é a Juliette do “Big Brother”. Ele apanha, mas o povo está com ele (risos).

Ainda nesta semana, Tadeu transa com a Guta (Julia Dalavia), mas a relação deles também será conflituosa, não é?

A Guta estimula o Tadeu a ser mais dono de si. Mais para a frente, ele acabará ficando com a Zefa (Paula Barbosa, que ainda não entrou na trama). Mas já falei com a Julia que quero mudar essa história da Guta e do Tadeu e fazer o público torcer pelos dois enquanto estiverem juntos.

Na primeira versão da novela, o Tadeu, vivido por Marcos Palmeira, protagonizou cenas de sexo e nudez. Como será agora?

Terá muitas cenas tórridas. Mas a primeira novela tinha mais nudez, mais bunda de fora. Hoje, por conta da classificação do horário, existe um pudor a mais. Não tem nudez explícita, mas umas sugestões. As cenas de sexo de agora têm uma poesia. Os diretores são muito sensíveis.

Por falar em bunda de fora... Você e Jesuita postaram uma foto em que estão nus no rio. O que achou da repercussão nas redes?

A gente estava no Pantanal há dois meses, num clima de irmandade absurdo, gravando juntos. É normal mergulhar no rio pelado. Não é a piscina da minha casa com a galera. Lá, os corpos não são tão sexualizados como aqui. Quando fizemos a foto, baixamos as sungas, nos abraçamos e nos sentimos livres. Temos que parar com essa forma bruta de afeto entre homens. São dois amigos abraçados. Acho lindo poder ser frágil e tirar as amarras dessa minha criação machista. E vamos normalizar as bundas também (risos). Elas nem estavam tão evidentes. Mas confesso que fiquei assustado com toda a repercussão. Teve gente que achou o nosso ato transgressor.

O Tadeu cresceu num meio machista. E você? Como foi sua criação?

Eu sou filho de um médico e de uma professora de Matemática. Vim de uma família tradicional construída nessa nossa sociedade machista. Como filho caçula (Loreto tem duas irmãs), sou o Jove da minha família. Uma vez, meu primo, ainda moleque, estava em Búzios e botou um brinco. Minha tia arrancou o brinco da orelha dele. Hoje estou aqui com meus dois brincos nas orelhas (risos). Quando meu pai viu a foto das bundas com o Jesuita, ele logo perguntou: “Por que você fez isso?”. Mas por que não?

Você tem uma filha de 4 anos. O que a paternidade o ensinou?

A Bella é tão sensível, tão mais esperta do que eu era nessa idade. Ela é muito amorosa. É a maior coisa que tenho nesse mundo. Temos uma relação verdadeira desde sempre. É uma menina questionadora... Então, aprendemos um com o outro nas nossas conversas. Mas é uma relação de erros e acertos. Tudo é feito sempre com amor e muita calma. Não tenho o menor pudor de pedir desculpa para minha filha quando acho que estou errado.

Você e sua ex-mulher, Débora Nascimento, moram no mesmo condomínio por causa da criação da Bella?

Moramos um do lado do outro para tornar fácil esse ir e vir. Temos a guarda compartilhada e uma unidade na criação que damos para a Bella. Débora estava viajando a trabalho, e minha filha ficou comigo. Agora, vou para o Pantanal, e ela fica com a mãe. Nosso tempo de qualidade aumentou. Antes, quando estava o tempo todo com ela em casa, não estava 100% presente. Hoje boto até na agenda: tempo para ficar com a Bella. Mesmo quando ela está com a mãe, estou sempre acompanhando. A gente se vê todos os dias, nem que seja por chamada de vídeo.

A sua separação, em 2019, foi cercada por muitas polêmicas. Como lidou com isso?

Foi uma ruptura muito grande, teve muito bafafá, muita polêmica. Todos os envolvidos poderiam ter resolvido a situação de forma mais prática e simples. Mas várias fofocas foram criadas. Hoje prefiro não botar mais madeira nesse fogo. Sei que ficou uma mancha nessa minha estrada. Mas naquele momento as coisas aconteceram daquela forma por várias razões. Passou. Foquei no meu trabalho, no meu bem-estar. Eu tive que me reconectar com muita coisa. Mas pude zerar e entender quem é esse José de agora.

O que você aprendeu com esse episódio?

Todo mundo pode passar por situações inesperadas. Eu sei das minhas verdades, e muitas pessoas me julgaram. Nem vale a pena voltar nisso. Amadureci. Isso me deixou calejado, mais ligado ao mundo. Eu era muito Tadeu nesse sentido, puro, achava que ninguém queria o meu mal. Vim de Niterói e não tinha desavenças com ninguém. Agora fiquei mais atento. De vez em quando, tem que fazer como a Jade Picon (ex-BBB) e tapar o umbigo.

As pessoas julgam as outras nas redes mesmo tendo telhado de vidro...

Todo mundo tem telhado de vidro. Passei por um período em que fui alvo de muito “hate”. Estava me separando de uma mulher linda, com uma filha pequena, as pessoas me julgando. Eram fofocas muito dolorosas. Dói saber que as pessoas que me amam também tiveram que escutar muita coisa sobre mim.

Como você cuida da sua saúde mental?

Faço terapia há três anos e aprendi muito a me conhecer melhor, a me conectar com o que é importante, com a natureza, os bichos. Botar o pé na terra é muito bem-vindo. Minha maior felicidade hoje não é visitar a Disney com a minha filha. É brincar com ela na terra, mexer no jardim. Nesta semana (semana passada) fui ao programa da Fátima Bernardes e passei pelo estúdio da época em que fiz minha estreia em “Malhação”, em 2005. Naquela fase, eu era só ego. Hoje sei que até o sucesso de um personagem é algo passageiro.

Você vai fazer 38 anos. O que esse novo ciclo significa para você?

Estou perto dos 40. É um número muito atraente, potente. Acho que agora minha vida vai começar de verdade. Tenho mais maturidade artística e emocional. Claro que tenho problemas, como todo mundo. Mas minha filha está com saúde. Vou todos os dias feliz para o trabalho, em paz.

Você está namorando?

Ainda não tenho uma classificação para o que estou vivendo neste momento. Posso dizer que estou muito bem, feliz, vivendo algo sem rótulos. Uma fase muito linda.

Pensa em se casar de novo? Quer ter mais filhos futuramente?

Não sei se quero ter rótulos tão antigos como já tive (diz, referindo-se a casar-se mais uma vez). Estou vivendo uma fase linda que não tem classificação. Tenho duas irmãs. Cada uma delas têm dois filhos. Mas quero ter muita certeza se quero dar um irmão para a Bella.

Você começou a mostrar nas redes a obra que estava fazendo na sua casa no “Mãos à obra com José”. Já acabou a reforma? Se inspirou no Rodrigo Hilbert?

Amo fazer obra, e o povo está pedindo mais vídeos nas redes. Comecei na pandemia e estou fazendo em etapas. Vou recomeçar agora. Eu meti a mão na massa, e isso acabou sendo positivo até para o meu trabalho como o peão boiadeiro de agora. O Rodrigo Hilbert é uma inspiração para todo homem. Mas não chego a ser como ele... Eu cozinho, mas não faço aquelas receitas elaboradas, não. Sou apenas um pai que mora sozinho com a filha e preciso me virar.

Você se preparou durante um bom tempo para viver Sidney Magal no filme sobre o cantor, mas teve que sair do projeto. Por que tomou essa decisão?

Fiz dois anos de preparação e foi como se tivesse largado uma faculdade no meio. O filme iria rolar antes, mas veio a pandemia. Seria meu segundo protagonista depois do “Mais forte que o mundo — A história de José Aldo” (filme de 2016 que também foi exibido em formato de minissérie). E agora, a rodagem coincidiu com o trabalho em “Pantanal”. Ponderei tudo, e fazer a novela teria um peso grande para mim. Deixei o filme como ator, mas virei coprodutor.

Já está planejando seus próximos trabalhos?

Tenho o projeto de uma série muito legal, mas que é secreta por enquanto. Eu seria o protagonista. Mas ainda não foi aprovada. E quero muito voltar para o teatro no ano que vem.

Ficha técnica:

Fotos e beleza: Vinícius Mochizuki

Edição de moda: Alê Duprat

Produção de moda: Kadu Nunnes

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