No ar, lives de reunião com embaixadores somam 1,2 milhão de visualizações em perfis de Bolsonaro

Transmissões ao vivo do encontro promovido pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) com embaixadores nesta segunda-feira seguem no ar, sem indicação de se tratar de conteúdo com desinformação, nas maiores redes sociais em operação no país, um dia após os ataques feitos por Bolsonaro contra as urnas eletrônicas e o processo eleitoral brasileiro. Ao todos, as lives somaram mais de 1,2 milhão de visualizações nos perfis oficiais de Bolsonaro no Facebook, Instagram e YouTube.

No Twitter, O GLOBO não encontrou registro de transmissão ao vivo na conta do presidente. Links das lives em outras redes sociais, no entanto, foram compartilhadas na plataforma.

No encontro com embaixadores, Bolsonaro voltou a levantar suspeitas com alegações de fraude não comprovadas nas eleições de 2018. A certa altura do discurso, disse haver “mais de cem vídeos” de eleitores que tentavam​ ​apertar o número 17 na votação​ ​de 2018, mas a urna registrava​ ​o número 13. Nunca houve comprovação de fraudes nas eleições brasileiras desde que as urnas eletrônicas foram implantadas, em 1996.

O YouTube anunciou em março que passaria a proibir vídeos com conteúdo enganoso afirmando que houve fraude nas eleições de 2018 e alegações falsas de que as urnas eletrônicas brasileiras foram hackeadas na última eleição presidencial e de que os votos foram adulterados. Na plataforma, a live de Bolsonaro com essas alegações atingiu 278 mil visualizações. Um vídeo com transmissão na conta oficial da TV Brasil também segue disponível e foi assistida 225 mil vezes.

Se o vídeo for removido, o presidente sofrerá uma punição, chamada de strike, como o bloqueio temporário para a publicação de novos vídeos. No ano passado, a conta já foi alvo de um bloqueio de sete dias após compartilhar uma das lives semanais do presidente com mensagens falsas sobre a vacinação contra a Covid-19

No caso da Meta, controladora do Facebook e do Instagram, as postagens contam com uma mensagem padrão em conteúdos eleitorais com a indicação do site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As lives de Bolsonaro somam juntas mais de 900 mil visualizações.

O Facebook e o Instagram contam com parceiros independentes para a verificação de fatos, mas a empresa não envia conteúdo de políticos eleitos para a revisão. A Meta alega que não é seu papel arbitrar debates políticos e impedir que o discurso de um representante eleito chegue ao seu público e seja alvo de amplo debate e escrutínio. Na prática, conteúdos classificados como falso por verificadores de fatos independentes têm a distribuição reduzida para ajudar a evitar que se torne viral. A rede também não tem regras claras sobre postagens que aleguem fraudes sem comprovação.

Em entrevista ao GLOBO, a ex-funcionária do Facebook Frances Haugen, responsável por divulgar documentos da empresa, ressaltou que vídeos ao vivo são amplificados e mais distribuídos pelo algoritmo do Facebook. A Meta anunciou no início deste mês que passou a diminuir a distribuição de conteúdos políticos no feed da rede social no Brasil.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos