No 'BBB 22', falas sobre escravidão e racismo geram polêmica e repercutem nas redes; entenda

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Logo nas primeiras horas de programa, o "Big Brother Brasil 22" já rendeu falas polêmicas dos novos moradores da casa mais vigiada do Brasil. As que mais chamaram atenção do público e repercutiram nas redes foram feitas pela cantora Naiara Azevedo, do grupo Camarote, e pela modelo e designer de unhas Natália.

Em conversa na cozinha da casa, Naiara falou sobre como ela lida com as pessoas, enquanto os outros participantes a ouviam em silêncio.

"Não existia, para mim, ruivo, loiro, negro, branco. Todo mundo, para mim, é como se eu enxergasse tudo igual. Eu não vejo tonalidades de pele diferentes aqui. Acho que não existe assim. Eu não fui ensinada assim", falou a cantora.

Logo internautas e personalidades rebateram a fala dela, justificando que isso é uma forma de tentar não ver ou debater o racismo no Brasil e no mundo.

Uma dessas pessoas foi a apresentadora Ana Maria Braga, que fez um post em suas redes sociais.

"Não querer que o racismo exista é diferente de negá-lo. Eu aprendi, me rodeando de pessoas pacientes e amorosas, que esse “pensamento de igualdade” causa dor nas pessoas negras. Pois são elas que sofrem (literalmente) na pele e só elas podem testemunhar se racismo existe ou não. É como se você falasse pro médico que está com dor e ele te respondesse que a dor não existe, pois ele não está sentindo nada", justificou a comandante do "Mais você".

Outro episódio que deu o que falar nas redes foi quando a mineira Natália decidiu falar sobre escravidão com os participantes.

"Viemos escravos, sim. Por quê? Porque a gente era eficiente. Porque a gente era forte. Por que a gente veio como escravo? Porque a gente era bom no que fazia", disse a integrante do grupo Pipoca.

A atitude da participante também foi questionada nas redes por pessoas que ressaltaram os horrores do regime escravocrata no Brasil e que a culpa não deveria cair sobre a população negra.

Uma das personalidades que abordou o tema nas redes sociais foi a atriz e cantora Zezé Motta.

"Eu depois de assistir ao vídeo com a fala da BBB Natália. Infeliz, insensata, porém não estou aqui pra apontar uma outra mulher. Não é sobre isso... É sobre a fala da moça, isso reforça que vivemos num país extremamente omissor com as nossas raízes. Infelizmente o nosso povo não possui informação, somos fruto de um país carente de informação e ainda negacionista. Nosso povo não conhece sua própria história. A Natália foi infeliz em sua fala pois não conhece a nossa história. Sua fala é o cenário em que se encontra o Brasil. Não devemos, jamais, amenizar nem sermos omissos com o que a escravidão foi. Eu disse J-A-M-A-IS", escreveu Zezé.

Sem citar o episódio diretamente, o ex-BBB, diretor, escritor e ativista do movimento negro Rodrigo França postou em suas redes sociais:

"A escravidão até hoje é narrada através da visão do algoz. Uma visão romantizada que responsabiliza a vítima e enaltece o bárbaro. Navios portugueses e brasileiros fizeram mais de 9 mil viagens com africanos escravizados. Foram 4,8 milhões de africanos transportados para o Brasil e vendidos como escravizados, ao longo de mais de três séculos. Outros 670 mil morreram no caminho. Somando as consequências de tudo isso que vemos hoje, em pleno século XXI. A população negra está nos piores índices socioeconômicos no Brasil. A escravidão foi perversa, com uma visão econômica que desumanizava, matava e torturava. Romantizar é no mínimo desonesto".

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