No 'BBB21', Karol Conká afirma que Michael Jackson teve 'vitiligo emocional'; dermatologista explica

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No ''Big Brother Brasil'', Karol Conká se envolveu em mais uma polêmica após, no último fim de semana, afirmar que o cantor Michael Jackson teve vitiligo por questões emocionais, insinuando que o americano quis ficar branco por conta do preconceito que sofria. Em uma conversa com Fiuk e João Luiz, a curitibana disse que o Rei do Pop clareou a pele propositalmente.

''Ele queria ficar igual o Fiuk, bem branquinho e com o cabelinho assim (liso)... E ficou feio. Ele era lindo, ficou com a pele mais branca que a sua, porque você e a Carla são bem branquinhos", disse a rapper, que ainda contou que ouvia falas racistas sobre Michael Jackson na escola: "Na escola eu usava um moletom escrito 'Negro é lindo'. E falavam para mim: 'se fosse lindo, o Michael não tinha ficado branco'".

Neste momento da conversa, João Luiz resolveu explicar que Michael, na verdade, não quis ficar branco e, sim, que o cantor sofreu de vitiligo, uma doença autoimune onde o corpo ataca o melanócito, célula responsável pela produção da melanina, que dá cor à pele.

"É que ele teve aquele negócio lá, vitiligo", lembrou o professor de Geografia.

Karol, entretanto, discordou:

"Não. Não existe esse (tipo de) vitiligo. Eu nunca mais vi nenhuma outra pessoa ter um vitiligo que a mancha pega o corpo inteiro".

"Mas aí está a questão: ele acelerou o processo (da doença)", explicou o mineiro.

Convencida pelo argumento do brother, Conká concluiu, então, que o vitiligo da estrela pop foi causado por questões emocionais relacionadas ao preconceito que sofria por ser negro. "Então, tá vendo? Teve vitiligo, é emocional também", afirmou a artista.

Embora tenha sido criticada por fãs do artista nas redes sociais, a fala de Karol sobre vitiligo não foi totalmente incorreta, já que a doença pode ser agravada por fatores emocionais.

— O vitiligo é uma doença autoimune, então ele tem influencia do psicológico do paciente. Se o paciente tem vitiligo e passa por um estresse maior, as lesões podem aumentar. Teve muito paciente com vitiligo que piorou agora na pandemia. Ela não estava totalmente equivocada em falar que o vitiligo tem um componente emocional — explica o dermatologista Igor Manhães, formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O médico nega, porém, que o vitiligo possa surgir a partir da vontade da pessoa de clarear a pele, como Conká deu a entender na conversa sobre Michael Jackson.

— Não existe um vitiligo emocional. O que passa a impressão (na conversa) é que ele (Michael) quis ter vitiligo. Isso não é possível. Pacientes com vitiligo possuem uma alteração genética, então para a doença se desencadear é preciso ter essa alteração. Não tem como infligir o inicio dessa doença — garante o especialista da Clínica Les Peaux, no Rio, e da Clínica Horaios, em São Paulo.

Ainda segundo o profissional, é possível clarear o restante da pele quando se tem vitiligo, conforme João Luiz afirmou. O tratamento, porém, é considerado controverso.

— Se o rosto todo já está acometido, existe a possibilidade de oferecer um tratamento de clarear o resto da pele. Mas hoje em dia é um assunto polêmico. Na maioria das vezes, os pacientes têm poucas lesões, geralmente escondíveis com maquiagem. Por isso, a primeira opção é tratar as lesões do vitiligo. A opção de despigmentar a pele hoje em dia é controversa. E não há como saber se o Michael fez esse procedimento.

Também não se sabe ao certo qual era o tipo de vitiligo que Michael Jackson tinha:

— Ele provavelmente tinha vitiligo universal, que é quando as lesões cobrem mais de cinquenta por cento do corpo. As áreas mais comuns para se aparecer lesões de vitiligo são na região genital, mãos e rosto (em volta dos olhos e da boca) — conclui o médico.

As falhas no cabelo de Lucas Penteado

Desde que entrou na casa do ''Big Brother Brasil 21'', Lucas Penteado deixou os espectadores curiosos com as falhas em seu cabelo. De acordo com Igor Manhães, os ''buracos'' na cabeça do ator muito provavelmente possui um tipo de foliculite controlada.

— Existem algumas doenças de pele que atacam folículos do cabelo, e tem um tipo de foliculite do cabelo que evolui pra uma alopécia. Elas surgem a partir de componentes genéticos e, algumas, podem gerar queloides. Ele (Lucas) já deve ter um diagnóstico porque, pelo que se vê pela televisão, a doença parece controlada. No caso dele, o lugar sem cabelo é chamado de alopéciai cicatricial, e ali não tem como crescer novos fios porque não existem mais folículos. Isso é uma evolução da foliculite, que é o que ele provavelmente tem. É uma doença que pode piorar por questões emocionais — explica o profissional.