No Brasil, mais de 16 mil pessoas tomaram doses de vacinas diferentes contra a covid-19

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RIO DE JANEIRO, BRAZIL - APRIL 09: A health worker draws the COVID-19 vaccine from a vial at a vaccination post in the Sambodromo the vaccination post in the Sambodromo on April 9, 2021 in Rio de Janeiro, Brazil. Health authorities have administered 22.6 million vaccine doses, as the country continues to deal with infections, as total cases climb to 13.3 million. (Photo by Buda Mendes/Getty Images)
Maior parte das pessoas que receberam doses diferentes era de profissionais da saúde (Foto: Buda Mendes/Getty Images)
  • Pelo menos 16,5 mil pessoas receberam uma dose de cada tipo de vacina

  • Com uma dose de cada, pessoa não tem imunização completa

  • Tecnologias dos imunizantes Oxford/AstraZeneca e da CoronaVac são diferentes

Cerca de 16,5 mil pessoas no Brasil foram vacinadas com duas doses de vacinas diferentes contra a covid-19. Ou seja, elas teriam tomado a primeira dose da CoronaVac e a segunda Oxford/AstraZeneca – ou o contrário. As informações estão no Datasus, do Ministério da Saúde, e foram reveladas pela Folha de S. Paulo.

A maior parte dessas pessoas, 14,7 mil, tomara primeiro a vacina Oxford/AstraZeneca e, na hora de receber a segunda dose, foi ministrada a CoronaVac. Uma parte menor, de 1,7 pessoas, tomou primeiro a CoronaVac e, depois, a vacina Oxford/AstraZeneca.

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Todos os estados brasileiros têm casos assim, com exceção de Acre e Rio Grande do Norte. Os protocolos de vacinação determinam que as pessoas recebam as duas doses do mesmo imunizante.

O levantamento feito pela Folha incluiu 3,5 milhões de pessoas, todas com a primeira dose entre 17 e janeiro e 17 de abril, que voltaram para tomar a segunda dose até 8 de abril. O rastreamento é possível porque as doses são registradas no Datasus com fabricante e número do lote.

Entre as 16.526 pessoas que tomaram uma dose de cada vacina, a maior parte é de profissionais de saúde. De acordo com o levantamento da Folha, 7 em cada 10 trocas aconteceram nessas pessoas.

Como fica a imunização?

As vacinas CoronaVac e Oxford/AstraZeneca têm tecnologias diferentes. Enquanto a CoronaVac usa o vírus inativado, o segundo imunizante usa o vetor viral não replicante, capaz de infectar células humanas, mas sem formas novos vírus.

Os dois imunizantes, inclusive, têm intervalos diferentes: a CoronaVac precisa de 28 dias entre as doses, enquanto a Oxford/AstraZeneca tem três meses de intervalo. Com uma dose de cada, a pessoa em questão não completa a imunização.

O que diz o Ministério da Saúde

À Folha, o Ministério da Saúde disse que recebeu 481 notificações de casos de vacinação com duas doses diferentes. A pasta se isentou da responsabilidade e afirmou que isso cabe aos estados e municípios.

“A pasta esclarece que cabe aos estados e municípios o acompanhamento e monitoramento de possíveis eventos adversos a essas pessoas por, no mínimo, 30 dias.”