Modelos ucranianas que participarão da SPFW relembram bombardeios russos

Eram cinco horas da manhã, de um dia de fevereiro, quando a modelo Lera Dmitrenko e sua família acordaram com barulho de bombas do lado de fora da casa, em Kharkiv, uma das maiores cidades da Ucrânia. Antes de seu país ser alvo de ataques russos, ela levava uma vida feliz, com uma carreira em ascensão na indústria da moda. “Num determinado momento, tudo mudou”, diz a moça, de 19 anos, que nasceu em Kiev, a capital do país. “Nem consigo descrever esses sentimentos. Minha terra passa por um período realmente difícil. São mais de três meses sob ataques diários. É uma guerra em grande escala. Tenho orgulho do meu povo e, especialmente, admiro a coragem do exército ucraniano.”

Ainda curando as marcas emocionais da guerra, Lera desembarcou no Brasil há pouco mais de um mês, acompanhada de outras compatriotas: Angelina Lisuk, Dasha Rosko, Vika Bilienko e Anna Yuzrna. Vieram trabalhar, num intercâmbio promovido pela agência Tree Models. Na agenda, reuniões com clientes, fotos e possíveis desfiles na São Paulo Fashion Week, que acontece entre hoje e sábado. Diretor de casting de um punhado de grifes que participam do evento, Bill McIntyre fez testes com as meninas. “Falta só a prova de roupa final para batermos o martelo”, avisa ele.

Natura de Kharkiv, Vika, de 20 anos , também foi despertada na mesma madrugada que Lera ao som de granadas. “Foi muito assustador. Não sabia para onde correr. Tivemos que fugir sob bombardeios. A cidade estava toda quebrada, janelas estilhaçadas... Vivíamos pacificamente antes da chegada dos russos. Amamos nosso país, nossa cidade. É um lugar incrivelmente lindo. As coisas não deveriam ser assim”, conta Vika, que desembarcou no Brasil com a ajuda de seu agente local. “Leio sempre as notícias e quero voltar para casa. Crianças estão morrendo por causa dessa agressão. Isso precisa parar. Queremos ser como antes.”

Lera observa que em momentos da História como esse é essencial não perder a “humanidade” e a empatia. “É importante ser corajoso e proteger os valores reais. Ser capaz de olhar nos olhos do mal, do fascismo russo, chamando os bois pelos nomes. E, é claro, ajudar uns aos outros de forma sincera.” Ela, que deu os primeiros passos na carreira quatro anos atrás, afirma não ser uma refugiada no Brasil. “É um lugar maravilhoso, com pessoas abertas e gentis. Não sei muito sobre a política interna, mas espero que as pessoas possam escolher um governo livre e democraticamente como em minha terra.”

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