No BRT, fiscalização não evita aglomeração de passageiros

Gilberto Porcidonio
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Mesmo ônibus que saiu só com passageiros do terminal Jardim Oceânico estava lotado na estação do Mato Alto

A operação organizada pela Polícia Militar, pela Guarda Municipal e pela Secretaria Municipal de Transportes para proibir, na quarta-feira, que os ônibus articulados saíssem lotados da Estação Jardim Oceânico, na Barra, não evitou que os passageiros ficassem próximos uns dos outros. Isso porque, proibidos de embarcar para ficar em pé nos veículos, eles se aglomeraram nas plataformas. Além disso, nem todas as estações tinham fiscalização, de forma que os ônibus foram enchendo ao longo do trajeto.

Na estação Alvorada, a ordem era para que, se descumprisse a ordem, o motorista fosse detido. Por isso, funcionários da própria concessionária se prontificaram a regular a entrada dos veículos. Um deles transmitia, por um megafone, orientações gravadas alertando os usuários que os articulados não deveriam sair da estação com passageiros de pé. Os passageiros do BRT se revoltaram, pois muitos usuários foram retirados dos veículos e houve acúmulo de gente na plataforma. Muitos passageiros discutiram entre si e também com os funcionários do BRT. O gráfico Paulo Sérgio Santos chegou a ser retirado de um articulado. Ele mora na Taquara, na Zona Oeste, e trabalha no Centro, levando cerca de duas horas no trajeto:

— O negócio está osso! E não vai adiantar, porque, quando chegar na Taquara, vai encher de novo. É absurdo!

Apesar da repressão à lotação, a estação ficou cheia de passageiros, quase colados uns aos outros, aguardando o próximo veículo, inclusive, na passarela de entrada. Esse ambiente preocupou a diarista Maria Cristina Liberato, que mora na Praça Seca, Zona Oeste, e trabalha em Botafogo, na Zona Sul:

— Não adianta proibir a gente de entrar se aqui (na plataforma) lota também. Fico preocupada porque sou do grupo de risco, sendo diabética e com pressão alta, e não posso ficar em casa.

O EXTRA também notou que, após a saída dos veículos das estações onde havia a fiscalização, passageiros embarcavam em outras paradas, levando à lotação dos ônibus durante todo o trajeto pelo bairro do Recreio sem que fossem vistoriados.

— É tudo demagogia! Só agora criaram fila de idoso. Eu uso marca-passo e não posso me dar ao luxo de parar de trabalhar — disse uma idosa moradora de Sepetiba que preferiu não se identificar e que trabalha como empregada doméstica na Barra.

Redução de passageiros

O BRT Rio informou que registrou uma queda de 32% no número de passageiros transportados na comparação entre a última terça-feira e a da semana anterior. A redução seria reflexo das orientações do poder público para que a população evite sair de casa a fim de combater a maior propagação do novo coronavírus. A direção da empresa solicitou aumento da equipe de terceirizados responsável pela limpeza para fazer a higienização dos terminais e estações, com assepsia de balaústres, corrimãos, catracas, validadores e máquinas de autoatendimento, e dos articulados que param nos bolsões do Terminal Alvorada.

Outros modais do Rio também sofreram redução de passageiros no período (os dados de ontem serão divulgados hoje): o VLT teve 47,6% menos; o metrô, 51% e os trens, 35,6%.