No cálculo da inflação, DVD e câmeras fotográficas dão lugar a streaming e apps

NICOLA PAMPLONA
Foto: Thomas Trutschel/Photothek via Getty Images

O cálculo do IPCA, índice oficial de inflação no país será atualizado e passará a considerar novos hábitos de consumo da população, como serviços de streaming, transporte por aplicativo e até produtos de higiene para animais domésticos. A nova fórmula entra em vigor a partir de janeiro de 2020.

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A principal mudança, segundo informou nesta sexta (11) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) é que os gastos com transporte passam a ter peso maior do que as despesas com alimentação. As mudanças são baseadas na POF (Pesquisa de Orçamento Familiar), divulgada na semana passada pelo instituto.

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A pesquisa, realizada entre 2017 e 2018, detectou pela primeira vez que as famílias brasileiras têm separado parcela maior do orçamento para se locomover do que para comer. No último levantamento, de 2008 e 2009, o peso dos dois era quase o mesmo, com leve vantagem ara alimentação.

"Ficamos muito tempo sem ter uma POF e temos uma mudança cada vez mais rápida no padrão tecnológico", diz o gerente de Índice de Preços do IBGE, Pedro Kislanov. O IPCA reflete a cesta de consumo das famílias com rendimento mensal de até 40 salários mínimos.

"Tivemos a saída de alguns itens que não encontramos mais. Ao mesmo tempo, tivemos a entrada de produtos que estão entrando no cotidiano de milhões de brasileiros", completou.

Entre os produtos que passam a ser utilizados no cálculo, estão alimentos de preparo rápido, como macarrão instantâneo e suco em pó e itens relacionados à vida saudável e estética, como sobrancelha, cabeleireiro e barbeiro, depilação e atividade física.

Por outro lado, saem aparelhos de DVD, assinatura de jornais e máquinas fotográficas.

O item saúde e cuidados pessoais ganhou peso no cálculo da inflação, enquanto transportes e alimentação perderam. Ainda assim, os custos com locomoção têm o maior peso: 20,8%. Alimentação vem logo atrás, com 18,9%.

"O aumento no peso do transporte pode ser explicado pela menor quantidade de opções desse serviço, enquanto na alimentação as famílias têm mais facilidade em trocar alguns produtos por outros, para economizar", disse Kislanov.