No calçadão de Bangu, para ter acesso a escada rolante é preciso vencer degraus de concreto

Geraldo Ribeiro
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Operários trabalham na obra. Rioluz diz que escada rolante não é recomendada para cadeirantes
Operários trabalham na obra. Rioluz diz que escada rolante não é recomendada para cadeirantes

Uma escada de concreto que dá acesso à escada rolante. Você não leu errado. É isso mesmo que está acontecendo no calçadão de Bangu. Após esperar mais de um ano pelo conserto do equipamento eletrônico que leva até as bilheterias da estação da SuperVia e facilita a travessia para o outro lado da linha férrea, os moradores do bairro da Zona Oeste do Rio foram surpreendidos pela obra, que chamou a atenção pelo inusitado. A principal queixa é a falta de acessibilidade, já que os degraus vão representar um empecilho para quem tem dificuldade de locomoção, como idosos e cadeirantes, até porque os elevadores também não estão funcionando.

—Vejo aquilo (a escada de concreto) como uma afronta aos cadeirantes. É uma coisa bizarra — classificou o cadeirante José Luiz da Silva Santos, de 50 anos.

Para José Luiz, que mora em Senador Camará e trabalha em Bangu como ambulante, no lugar da escada de concreto, com pelo menos seis degraus, deveria ter sigo erguida uma rampa. Ele disse que para acessar o outro lado do bairro, que é cortado pela linha do trem, preferia utilizar a escada rolante aos elevadores, que vivem enguiçados. Além disso, neles cabe apenas um cadeirante por vez.

— Com a escada rolante e os elevadores parados, há mais de um ano sou obrigado a utilizar uma travessia por baixo da linha férrea, que, quando chove, alaga. Ainda assim, preciso de ajuda, pois a rampa é íngreme — reclamou o cadeirante.

A obra foi alvo de crítica nas redes sociais. “Bangu não é para amadores. Agora teremos uma escada para subir na escada rolante”, ironizou uma página que veicula informações sobre o bairro. “Faltou uma rampa de acessibilidade, que aliás é obrigatória por força de lei. Infelizmente é mais fácil dar um jeitinho do que resolver o problema dos alagamentos”, queixou-se um internauta.

Uma das justificativas para construir a estrutura de concreto é que a escada rolante vivia dando defeito porque o motor, que ficava no nível do chão, entrava em contato com a água dos alagamentos provocados pela chuva. A intenção, então, foi elevar o motor. Só que a solução encontrada impede a acessibilidade.

As escadas rolantes para pedestres cruzarem a linha férrea e os dois elevadores para deficientes físicos foram instalados durante as obras do Rio Cidade, inauguradas em 2002. O programa revitalizou o centro comercial de Bangu. A obra custou, na época, à prefeitura R$ 22 milhões.

Elevador está sendo reparado

A Rioluz, responsável pela obra, informou que as escadas rolantes do calçadão de Bangu foram elevadas para conter os danos causados por chuvas fortes e por mau uso do equipamento, evitando transporte de motos e equipamentos pesados.

Sobre a acessibilidade no equipamento, o órgão diz que o trânsito de pessoas com deficiência, mobilidade reduzida ou portando carrinho de bebê não é recomendado em escadas rolantes, segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e que para segurança dessas pessoas recomenda o uso dos elevadores, também contemplados com a reforma.

O serviço, ao custo total de R$ 1,67 milhão, está previsto para ser concluído em novembro.