No Catar há quatro anos, brasileira usa festa em Flamengo x Liverpool como termômetro da Copa

A brasileira Juliana Heide chegou ao Catar há quatro anos cheia de dúvidas. Ela conhecia pouco do país, mas aceitou o desafio proposto pelo marido e, hoje, já está adaptada à vida totalmente diferente da que tinha no Rio de Janeiro. Nas proximidades da Copa do Mundo, a brasileira sente que o jogo entre Flamengo e Liverpool, em 2019, foi um termômetro para as festividades de novembro e dezembro.

Ela e os amigos têm história para contar. Vídeos enviados à reportagem do Yahoo Esportes mostram um bar cheio de flamenguistas, que cantavam e festejavam. Segundo Juliana, um dos pubs se tornou o ponto de encontro da torcida durante o Mundial de Clubes. Outros conteúdos mostram os brasileiros em metrôs, cantando músicas sobre o time – inclusive, com a população local gravando.

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"Esse é o tipo de coisa que me faz ter certeza de que a Copa do Mundo aqui vai ser um sucesso. Os torcedores foram muito bem recebidos. Vai ser uma competição ótima e estamos na ansiedade para que esse dia chegue. Foi muito, muito bom, estar no meio das festividades. A população foi muito receptiva e não houve qualquer problema por conta das músicas ou das bebidas alcóolicas. Esse é o espírito", conta Juliana, por telefone.

Já que a bebida alcóolica não é amplamente permitida no país, o seu consumo será possível dentro de fan zones (locais autorizados pela FIFA e pelo governo do Catar), construídas especialmente para a Copa do Mundo. O valor do copo de cerveja deve chegar próximo aos R$ 60, de acordo com levantamento do jornal inglês The Sun.

"É um valor alto [para consumir bebida alcóolica], nós sabemos, mas é difícil estar no meio de uma comemoração e não tomar uma cerveja ou não entrar nesse clima de Copa do Mundo. A festa para o Flamengo e Liverpool teve de tudo e não sinto que os brasileiros tiveram seus direitos cerceados por estarem em um país com uma cultura diferente e com permissões diferentes, por exemplo. É preciso também se permitir ter uma boa experiência", complementou.

Permitir-se foi algo que Juliana precisou fazer antes de sair do Brasil. Ela não gostava da ideia de sair do Brasil para fazer a viagem e teve de reavaliar muita coisa, como seus preconceitos e incertezas, para embarcar junto ao esposo. Advogada de formação, a brasileira havia recém feito uma mudança de carreira, para a consultoria de imagem e estilo, e sentia que não poderia desempenhar a profissão no Catar. Estava enganada.

Eles decidiram juntos que passariam somente um ano. Caso não se adaptassem, voltariam ao Brasil. O processo foi rápido, segundo Juliana, porque houve uma receptividade muito alta, até pelo número de imigrantes que o Catar possui. O casal fez amigos rápido e hoje possui uma base quase familiar, apesar da pluralidade de culturas.

"Está todo mundo no barco. Somos imigrantes tentando ter uma vida melhor. Há uma compreensão muito boa entre as pessoas. No Brasil, os grupos de amigos geralmente são os mesmos, então é difícil criar uma rede de apoio. Isso não acontece tanto aqui, porque os amigos se tornam uma família. Tenho amigas da Índia, da Arábia, de onde você imaginar. É um país rígido de regras, mas acho que é espetacularizado para que se tenha uma visão problemática."

Juliana acrescenta que, em comparação à vida no Brasil, a segurança foi o que ela mais sentiu diferença. "Não se vê muita criminalidade. É uma paz de espírito, sem ansiedade, porque não tenho medo de assédio ou de assalto. Nós nem ficamos sabendo quando esse tipo de coisa acontece, se é que acontece. Já esqueci meu celular em um balcão, passei horas para voltar, e encontrei no mesmo lugar. As medidas são rígidas para coibir a criminalidade."

Apesar de só ter quatro anos no país, Juliana conseguiu galgar uma boa oportunidade após perseverar. Como freelancer, atendeu pessoas físicas e marcas, até que decidiu que também tentaria ter um trabalho mais fixo. Hoje, está atuando como consultora de estilo em uma das lojas da fashion brand francesa Dior.

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